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Autocontrole e autoridade

17 de abril de 2012 | Publicado por Mariana em Mensagem da Semana - (0 Comentário)

Não respondais à cólera com cólera. Podeis exigir que a criança se domine quando vós mesmos não sois disso capazes? Ao contrário, em relação a uma tal criança dai prova de uma calma redobrada. Bater não adianta nada.

Assim como a calma impõe, o nervosismo superexcita. Os gestos bruscos desconcertam a criança: para ela, uma pessoa grande é, antes de tudo, alguém forte e calmo no domínio de si mesmo. Vendo-a encolerizada a ponto de exceder-se, vendo-a enervada, irritada e… irritante, seu respeito diminui e a autoridade perde a força.

Já se definiu a calma como a “majestade da força”. Domínio interior, que faz com que só se dê uma ordem importante depois de refletir e em conhecimento de causa, e que permite julgar com maior imparcialidade o que convém ao bem da criança. Domínio externo, transparência do interno, que se lê na serenidade do rosto, do olhar, da atitude, dos gestos, da linguagem.

A Arte de Educar as Crianças de Hoje – Pe. G. Courtois

Fotografia de um jantar em famíliaNo final do programa 11 do Margarita Noyes on Homeschooling eu e a professora Margarita conversamos um pouco sobre a importância dos rituais familiares para crianças e jovens. No programa eu mencionei um artigo publicado pelo Journal of Family Psychology que eu havia lido há bastante tempo onde os autores analisavam publicações a respeito de rotinas e rituais familiares: “A Review of 50 Years of Research on Naturally Occurring Family Routines and Rituals: Cause for Celebration?“.

No artigo os autores demonstram que rituais e rotinas familiares são fundamentais para prover união e fortalecimento das relações familiares, senso de identidade pessoal (principalmente de adolescentes), estabilidade, manutenção do contato familiar e satisfação matrimonial. No artigo são apontadas as diferenças entre rotinas e rituais: as primeiras são as ações do dia a dia que têm de ser realizadas com regularidade e que são momentâneas, ou seja, não trazem uma reflexão posterior. Já os rituais são mais simbólicos, duradouros e têm um significado afetivo que ficam marcados na memória. Rituais como jantares em família, reuniões de domingo e tradições familiares fazem com que uma criança desenvolva um senso de pertencimento e do que é certo.

As rotinas, que apesar de não serem experiências marcadas pela afetividade e pelo simbolismo dos rituais, são também importantes: “as práticas de rotinas familiares são uma indicação da organização familiar e são importantes para a saúde psicológica e bem estar de seus membros”. Além disso, as “mães de bebês reportam mais satisfação em seus papéis de mães e sentem-se mais competentes quando há rotinas regulares no lar. (…) Crianças com rotinas regulares de horários para ir para a cama resolvem dormir mais cedo e acordam com menos frequência durante a noite do que aquelas com rotinas menos regulares”.Fotografia de família lanchando

Rotinas e rituais são fundamentais para o desenvolvimento de uma criança e para a qualidade das relações familiares. Portanto, vale a pena o esforço dos pais para manterem rotinas com seus filhos como hora de dormir, horários de refeições, tarefas domésticas diárias, horário para estudar; e rituais como almoços de domingo, orações antes das refeições e a hora da leitura com toda a família.

Fotografia de G. K. ChestertonOutra característica igualmente comum e ainda mais essencial [aos contos de fada] é a grande idéia que repousa no coração da estória A bela e a fera e numa centena de contos semelhantes: a idéia de que ao amar uma coisa, ela se torna bela. Os contos de fadas nos advertem, acima de tudo, para ficarmos alertas com os disfarces que as coisas possam ter, e para olhar para todo o exterior feio e repelente com esperança e divina desconfiança. Das trevas de uma época mais antiga do que a mais antiga das crônicas nos chegam estórias como Cinderela e A bela e a fera, um sermão contra o esnobismo que poderia ter sido pregado por Thackeray.

Mas todos esses sólidos fragmentos de moralidade primitiva são secundários diante do grande espírito moral que é o próprio cerne dos contos de fadas. Tal espírito é o princípio que aparece e reaparece em milhares de estórias folclóricas, de que nada pode causar mal ao homem a menos que ele o tema. Talvez em nenhum outro período da história da civilização tenhamos tido tanta necessidade de evocar a ética da antiga luta entre João contra o gigante, do pequeno contra o gigantesco.

A Ética do Reino Encantado (em “The Chesterton Review – Chesterton e os contos de fadas”) – G. K. Chesterton

Tenho recebido alguns e-mails de mães que estão educando seus filhos em casa, mas que não estão conseguindo conciliar bem todas as tarefas domésticas com os cuidados e com a educação de suas crianças. Por conta disso decidi fazer uma pesquisa sobre o assunto e encontrei o vídeo abaixo, no canal do Sonlight Curriculum, que traz orientações muito boas. Também me lembrei de um livrinho do Pe. Francisco Faus que li há algum tempo chamado “A preguiça“. Assim como a palestrante no vídeo, o Pe. Faus fala sobre a importância de refletir e estabelecer algumas prioridades para o dia. O livro é dividido em duas partes: na primeira o Pe. Faus apresenta as características da preguiça (que muitas vezes vem disfarçada de ativismo) e na segunda ele fala sobre a diligência, que é o “antídoto” à preguiça. Não julguem de antemão que por conta do título desse livro eu esteja chamando alguém de preguiçoso por não conseguir organizar a rotina da casa! Antes disso, leiam as reflexões que transcrevi logo abaixo do vídeo e que, acho, podem ajudar na reflexão sobre as maneiras de se organizar a rotina, as tarefas de casa, as demandas com a educação dos filhos, a atenção ao marido, os estudos e pesquisas e tudo o mais. Espero que este post traga alguma luz!

(Para assistir com legendas, use as ferramentas “transcrever áudio” e “traduzir legendas” do Youtube, disponíveis na barra de comando do vídeo).

“Quem é laborioso aproveita o tempo (…). Faz o que deve e está no que faz, não por rotina nem para ocupar as horas, mas como fruto de uma reflexão atenta e ponderada. Por isso é diligente. O uso normal dessa palavra – diligente – já nos evoca a sua origem latina. Diligente vem do verbo diligo, que significa amar, apreciar, escolher alguma coisa depois de uma atenção esmerada e cuidadosa. Não é diligente quem se precipita, mas quem trabalha com amor, primorosamente” [Mons. Escrivá].

Muitas pessoas oferecem a imagem de um ativismo desenfreado. Não param um instante. Vão de cá para lá, assoberbados de tarefas, numa incessante corrida atrás do tempo, que sempre se lhes torna escasso. As ocupações os envolvem como que num redemoinho. Lá não são donos de si mesmos. A sua atividade – ativismo, deveria chamar-se – domina-os como um cavalo sem freio, do qual perderam completamente as rédeas.

(…)

Donas de casa que parecem uma Maria-fumaça sem breque, descendo descontroladas a ladeira do dia, sacolejadas por tarefas, saídas, telefonemas, problemas de escola, pagamentos, etc., literalmente arrastadas para o abismo de um permanente nervosismo e uma canseira atordoada. Ou profissionais tensos, em constante disparada, sem tempo para pensar, cuja alma de robô faz deles, mais do que trabalhadores, devoradores de tempo, autênticos “cronófagos”. Homens e mulheres desse estilo não são diligentes. São apenas agitados. Não percebem que, por trás do seu vaivém descontrolado e fatigante, estão sendo atacados por uma forma perniciosa de preguiça: a preguiça espiritual, a preguiça mental.

(…)

A mão que segura e governa as rédeas da atividade é a reflexão. Só quem pensa serenamente nos seus deveres, na maneira de conjugá-los, nas prioridades que entre eles deve estabelecer, nos passos necessários para executá-los, é que possui o governo da ação e do tempo. Esse saberá aproveitar diligentemente cada um dos seus dias, e não será uma marionete puxada aos solavancos pelas cordas do nervosismo e da imprevidência. Lima atividade madura e eficaz exige – como a planta necessita da terra em que se enraíza – o solo fecundo da serenidade e da meditação. É preciso que aprendamos a parar e a perguntar-nos: Por que estou fazendo as coisas? Como é que as estou fazendo? Atiro-me cegamente numa correnteza de ocupações desordenadas? Estou fazendo realmente o que devo e do melhor modo?

Quando alguém se questiona assim, o impulso instintivo da preguiça será voltar à carga e repetir: “Não tenho tempo, não posso parar, não consigo um mínimo de tranquilidade, o tumulto das ocupações não me ‘deixa’ meditar…”.

Na verdade, quem não nos deixa meditar é a preguiça. É mais fácil escorregar pelo tobogã da rotina, mesmo que seja uma rotina febril, do que ter a coragem de se enfrentar consigo próprio, agarrar com firmeza o leme da vida e controlar energicamente o rumo da navegação.

É por isso que a diligência pressupõe uma “atenção esmerada e cuidadosa” para “apreciar” o valor dos deveres a cumprir, e para os “escolher” conscientemente, “como fruto de uma reflexão atenta e ponderada”.

(…)

Todos os cristãos deveríamos estabelecer e manter – e defender como algo de sagrado – pelo menos dez ou quinze minutos diários dedicados à meditação e ao exame da vida na presença de Deus: de manhã, antes de iniciar as atividades; ou pouco antes de recolher-nos para descansar; ou aproveitando a possibilidade de visitar uma igreja numa hora tranquila, quando o silêncio do templo convida ao diálogo íntimo com Deus… Porque é nesses momentos que a alma, com a graça divina, se torna transparente, se liberta da terrível força centrífuga do ativismo, e consegue voltar para o seu centro, esse “centro da alma” de que falam os místicos, onde se encontra com Deus. Para quem quer escutá-lo, aí Deus sempre fala.

E a voz de Deus – como antes lembrávamos – é a que nos esclarece as prioridades e ajuda a hierarquizar, pela ordem de importância, os deveres a cumprir. Assim, estamos em condições de “escolher” com “atenção esmerada e cuidadosa”. Passamos a ser diligentes. É importante, neste ponto, perceber que o fato de um dever ser prioritário não significa, via de regra, que se lhe tenha que dedicar maior quantidade de tempo. Há duas maneiras de dar prioridade a alguma obrigação, sem necessidade de prejudicar o tempo exigido pelas ocupações habituais.

Em primeiro lugar, vive-se uma tarefa como prioritária quando se dá importância primária à qualidade com que se realiza. Assim, a um homem que deve trabalhar por longas horas para sustentar a família, Deus muitas vezes lhe sugerirá: no dia de hoje, é prioritário dar ouvidos às preocupações da tua esposa, dedicar uma palavra de estímulo àquele filho. Isto não significa que Ele nos peça um tempo de que não dispomos. Pede-nos, sim, que, dentro do pouco tempo disponível, demos maior qualidade – qualidade de carinho, de intensidade de interesse, de afabilidade – ao relacionamento com os da nossa casa. E isto é sempre possível.

Há ainda uma segunda maneira de dar prioridade a um dever, cuja importância percebemos meditando na presença de Deus: a prioridade cronológica. Não a que consiste – repitamos de novo – em lhe dedicar longo tempo. Mas a que consiste em fazê-lo quanto antes.

A preguiça – Francisco Faus

Desenho representando uma rede de contatosNa semana passada participei de uma reunião com outras pessoas interessadas em homeschooling e em educação familiar. Todos os outros quatro participantes também mantêm sites e blogs a respeito desses assuntos e estão todos empenhados em contribuir com informações e materiais relevantes para os pais que estão se preparando e trabalhando para cumprirem bem seu dever de educar seus filhos. Esses sites e blogs são, portanto, um apoio tanto para os pais que decidiram retirar seus filhos da escola e educá-los em casa, quanto para aqueles que estão tentando complementar o ensino que as crianças recebem nas escolas. Na reunião cada um dos participantes se apresentou e contou um pouco sua trajetória, de modo que ficamos todos conhecendo um pouco do trabalho de cada um. Nossos pontos de vista e opiniões divergem em algumas questões relacionadas a educação, mas creio que apesar disso o esforço conjunto a favor principalmente da educação domiciliar no Brasil pode gerar bons frutos. Nesse sentido, algo positivo que já ficou acordado na reunião foi o uso da plataforma Wiki idealizada pelo Elienai do site Centro de Apoio a Educação Familiar: “a idéia é criar de maneira colaborativa projetos relacionados à educação familiar (currículos, propostas pedagógicas e etc). Todos os interessados poderão dar sua contribuição. A plataforma também possui fórum, o que permitirá a discussão de temas de interesse comum. No entanto, esperamos que esta plataforma seja útil não somente para a elaboração de conteúdo e para a promoção de discussões construtivas, mas também para facilitar o contato entre famílias. Vale salientar que esta Wiki ficará disponível somente para pessoas registradas a fim de assegurar privacidade aos seus participantes”. Para ter acesso e participar da plataforma Wiki basta entrar em contato pelo endereço de e-mail [email protected] Os participantes dessa primeira reunião foram:

Associação Nacional de Ensino Domiciliar (ANED)

Centro de Apoio a Educação Familiar (CAEDUF)

Desescolarizar

Por uma aprendizagem Natural

Fotografia de Mariana e MargaritaAmanhã às 19h30 irá ao ar o 12ᵒ programa Margarita Noyes on Homeschooling no Blog Talk Radio. Neste programa irei conversar com a Margarita sobre a série de livros sobre criação de filhos dentro de uma visão cristã chamada “On Becoming” (“On Becoming Babywise“, “On Becoming Childwise“, etc.) escrita por Gary Ezzo e Robert Bucknam. Cada livro é dedicado a um período da vida da criança até os anos da adolescência e os métodos e ensinamentos apresentados pelos autores influenciaram positivamente muitas famílias em vários países.