Informações para pais e educadores
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Dos dias 31 de outubro a 4 de novembro ocorrerá em Berlim a Conferência Global de Educação Domiciliar 2012. A conferência está sendo organizada por líderes do movimento homeschooling do Canadá, Alemanha, México, Filipinas, África do Sul, Coréia do Sul, Suécia e Estados Unidos.

“Pais, formuladores de políticas, pesquisadores, professores e políticos se reunirão para explorar as oportunidades e obstáculos que confrontam o movimento mundial pela modalidade. O objetivo: um impacto significativo na política educacional a favor da educação em casa”.

Eis uma grande oportunidade para divulgação da Educação Domiciliar e fortalecimento desta causa defendida por tantos pais, também aqui no Brasil.

No vídeo abaixo, Mike Donnelly, advogado e diretor de assuntos internacionais na HSLDA, fala um pouco mais sobre este grande evento.

 

A educação para a beleza

9 de setembro de 2012 | Publicado por Mariana em Mensagem da Semana - (0 Comentário)

As crianças expostas ao que é estética e moralmente excelente são ajudadas a desenvolver o apreço, a prudência e as capacidades de discernimento. Aqui é importante reconhecer o valor fundamental do exemplo dos pais e os benefícios da apresentação aos jovens dos clássicos infantis da literatura, das belas-artes e da música edificante. Apesar de a literatura popular ter sempre o seu espaço na cultura, a tentação do sensacionalismo não deveria ser passivamente aceite nos lugares de ensino. A beleza, uma espécie de espelho do divino, inspira e vivifica os corações e as mentes mais jovens, ao passo que a torpeza e a vulgaridade têm um impacto depressivo sobre as atitudes e os comportamentos.

Pensamentos sobre a família – Bento XVI

O depoimento abaixo foi escrito por Rosana Garcia, uma mãe brasileira de cinco filhos que educa em casa e reside nos EUA há muitos anos. Acho que vale muito a pena compartilhar um pouco do que ela conta com os leitores aqui do blog!

Fotografia da brasileira Rosana Garcia com seus filhos

“Eu educo meus filhos em casa há sete anos. Meu filho mais velho estava para iniciar a segunda série na escola quando decidimos que era hora de optarmos pelo Homeschooling. Agora em agosto ele foi para a nona série, ou seja, o High-School (Ensino Médio no Brasil). Quando ele estava na quarta série, optamos por uma “hybrid school”, uma escola hibrida na qual até hoje vamos duas vezes por semana, nos outros três dias estudamos em casa seguindo o mesmo currículo. Com isso, todos os meus filhos têm experiência em sala de aula, com uma professora (mãe de uma ou mais das crianças), além da experiência do ensino em casa. A “hybrid school” me ajuda a abarcar as áreas nas quais não sou muito boa, como Matemática e Ciências, e mesmo o Inglês, que não é minha primeira língua (é sempre melhor aprender com algum nativo).

Tenho cinco crianças maravilhosas, todas educadas em casa. São calmas (exceto quando brigam entre elas!), adoram uma boa leitura, são extremamente criativas e adoram conversar com pessoas de qualquer idade. Os amiguinhos geralmente são crianças que também são educadas em casa e todos têm uma grande bondade e uma alegria no coração. Todos são muito criativos e atentos ao que acontece no mundo, firmes em suas opiniões (baseadas em uma ótima formação moral que receberam em casa), alimentados por recursos cuidadosamente escolhidos pelos pais (como livros, filmes, etc.) e muita conversa com os pais. Meu marido sempre diz que quando fazemos Homeschooling nós somos o professor, o diretor, o superintendente, o comitê educacional. Não temos que lidar com esses profissionais que querem doutrinar nossos filhos com suas “agendas” pessoais e que normalmente não condizem com o que achamos ser importante no ensino, e muito menos com nossos valores morais e religiosos. Muitas vezes eles tentam destruir o que ensinamos em casa aos nossos filhos. A mente da criança é altamente influenciável nos anos formativos, portanto ela deve ser influenciada por aqueles que mais querem seu bem e a amam, e não por aqueles que querem prestígio profissional e não respeitam os valores dos pais, nem o futuro da criança e da sociedade. Muitos têm opiniões distorcidas de como se fazer o bem na sociedade.

Aqui nos Estados Unidos vemos, como resultado do Homeschooling, uma juventude inteligente e bem preparada. A crítica maior que ouço é a “e a socialização?”. Ora, uma criança educada em casa passa o dia com a família estudando, fazendo suas lições com o auxílio da mãe e de bons recursos cuidadosamente escolhidos, lendo, contando animadamente as histórias que leu, mostrando sua criatividade nos desenhos que faz, nas brincadeiras que inventa, brincando com amigos e fazendo as atividades extracurriculares (aulas de futebol, ballet, música, desenho, etc.) com o acompanhamento dos pais. Outro dia meu filho Alex, de onze anos, foi ao quintal e, com as duas irmãs e o irmãozinho mais novo (todos muito interessados), fez um vulcão com terra seguindo o que havia lido em um livro de Ciências. Ele colocou vinagre branco e bicarbonato de sódio dentro do “vulcão” que fez e essa combinação, ao reagir quimicamente, explodiu de dentro para fora, saindo pela boca do vulcão. Foi um show e uma lição de Ciências para os pequenos. Nesta situação, o Alex não só aprendeu como funcionam certos aspectos da Química, mas também como lecionar e interagir com as crianças menores. Depois da atividade todos voltaram para casa contando animadamente o que havia acontecido. Brincaram e aprenderam. Nessas horas eu vejo que meus esforços, apesar do cansaço físico e mental, valem a pena. Os “especialistas” em Educação que andam dando suas opiniões contra a Educação Domiciliar na mídia, simplesmente não enxergam o benefício educacional, moral e social que o Homeschooling oferece.”

Há algum tempo publiquei aqui no blog um artigo sobre a importância da memorização na infância. Naquela ocasião, Carlos Nadalim, coordenador da escola Mundo do Balão Mágico em Londrina, já havia me contado sobre o trabalho de memorização e fluência em leitura que estava fazendo com os alunos do Ensino Fundamental. Recentemente ele colocou no canal da escola no YouTube um vídeo (veja abaixo) onde pode-se testemunhar como de fato é possível que crianças consigam memorizar longos textos com eficiência e grande motivação. Com certeza este trabalho fará grande diferença no aprendizado futuro dessas crianças.

Rebeldia adolescente

2 de agosto de 2012 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil - (3 Comentários)

Existe um consenso entre muitas pessoas sobre o fato de que é normal e inevitável que adolescentes se rebelem contra seus pais e contra sua família. Não acredito que isto seja verdade, pois é perfeitamente possível que os pais conquistem seus filhos adolescentes se souberem compreender as mudanças pelas quais os jovens passam nessa fase. É importante também que os pais não subestimem ou desencorajem os jovens a fazerem coisas desafiadoras, pois é assim que se sentirão capazes, valorizados e aprenderão a ter um posicionamento mais ativo e de iniciativa ao longo da vida. É justamente isso que explica Michael Smith, presidente da Home School Legal Defense Association (HSLDA), no artigo abaixo.

Tobias Noyes palestrando

Educação em Casa: adolescentes desafiados a fazerem coisas mais difíceis – por Michael Smith

(Original no site The Washington Times)

Tradução: Mariana Discacciati

Qual é a primeira coisa que vem em sua mente quando você escuta a palavra “adolescente”? Para muitos, ela não é positiva.

A revolta adolescente tem se tornado lugar comum e nossa cultura tem respondido esperando cada vez menos dos adolescentes. Mas a revolta adolescente é inevitável ou existem outras formas de pensar que tratam desse problema? A responsabilidade pela revolta adolescente e pelo baixo desempenho deve cair principalmente nos ombros dos pais e demais adultos. Isso porque nossas expectativas atuais para os adolescentes fornecem pouquíssimos desafios.

Alex e Brett Harris, gêmeos de 19 anos de idade educados em casa, estão tentando dar aos adultos e adolescentes um chamado para acordarem. Em seu livro, “Do Hard Things” (publicado no Brasil pela editora Mundo Cristão sob o título “Radicalize”), eles tentam explodir o mito sobre a adolescência. Eles mostram que antes do início do século XX as pessoas eram ou crianças ou adultas. Família e trabalho eram as ocupações primárias do grupo que hoje chamamos “adolescentes”. Adolescentes, embora muitas vezes impulsionados pela necessidade econômica, assumiam responsabilidades do mundo real. Hoje, é esperado de poucos adolescentes que imitem as responsabilidades adultas e são, ao contrário, imersos na frívola cultura se seus pares.

Os gêmeos Harris não são os únicos escritores a questionar o julgamento comum sobre adolescentes. Robert Epstein, um pesquisador de Psicologia de longa data e que concluiu seu doutorado em Harvard, expôs o mito sobre o cérebro adolescente em seu livro “The Case Against Adolescence: Rediscovering the Adult in Every Teen” (O caso contra a adolescência: redescobrindo o adulto em cada adolescente). Ele argumenta contra a crença comum mantida na comunidade científica de que um cérebro não desenvolvido completamente justificaria os problemas emocionais e o comportamento irresponsável entre muitos adolescentes.

O Sr. Epstein mostra que as diferenças no cérebro adolescente são o resultado de influências sociais, ao invés da causa das conturbações na adolescência. Ele conclui que uma revisão cuidadosa da pesquisa mostra que o cérebro adolescente sobre o qual lemos nas manchetes – o cérebro imaturo que supostamente é a causa dos problemas – não é nada menos que um mito.

Por exemplo, se o cérebro adolescente fosse realmente fundamentalmente diferente do cérebro adulto, então veríamos padrões similares de revolta adolescente ao longo da história. Nós não vemos. Adolescentes em outras culturas, e os nossos próprios antes do início do século XX, detinham importantes posições e esperava-se que imitassem adultos, e não crianças.

O Sr. Epstein diz que adolescentes são extraordinariamente competentes, ainda que normalmente não expressem essa competência. Além disso, estudos de longa duração sobre inteligência, habilidades de percepção e função cerebral mostram que adolescentes são em muitos casos superiores aos adultos.

O Sr. Epstein conclui que a cultura de pares na adolescência, onde eles praticamente aprendem tudo o que sabem uns dos outros, ao invés de aprender com as pessoas nas quais estão prestes a se tornar, é a causa dos problemas que vemos hoje. Quase todos os adolescentes são isolados dos adultos e equivocadamente tratados como crianças.

Qual é a solução? Quando adolescentes são tratados como adultos eles quase imediatamente enfrentam o desafio. Os pais deveriam confiar nos seus adolescentes dando a eles cada vez mais responsabilidade, acompanhada da orientação adequada. Esta é uma forte repreensão para que os pais e adultos desafiem nossos adolescentes a agir mais como adultos ao invés de adolescentes tradicionais.

Os gêmeos Harris estão dando a direção aos adolescentes para que se tornem mais produtivos. Explodindo o mito sobre a adolescência primeiro, eles informam os adolescentes de que eles são capazes de muito mais do que normalmente é esperado deles e de que os adultos têm subestimado completamente os seus talentos e habilidades. Eles desafiam os adolescentes a se unirem na “rebelução” (rebelution), que é a revolução contra a rebeldia, e ditam cinco passos sobre responsabilidade para adolescentes.

Primeiro, adolescentes deveriam “fazer coisas difíceis” que os tirem da zona de conforto. Em segundo lugar, adolescentes devem ir além do que é esperado e solicitado deles. Em terceiro lugar, adolescentes deveriam tentar realizar tarefas que são muito grandes para serem feitas sozinho, para aprender sobre trabalho em equipe e colaboração. Em quarto lugar, adolescentes deveriam fazer coisas que não tenham um retorno imediato. Estas são as coisas desinteressantes que podem parecer uma rodada interminável de tarefas que veem sem um reconhecimento. Essas tarefas, no entanto, constroem o caráter. Finalmente, adolescentes devem ficar firmes em suas crenças mesmo se a maioria se oponha a elas.

“Radicalize” é um livro para os adolescentes e seus pais. Eu acredito firmemente que este livro, se levado a sério pela geração atual de adolescentes e pelos seus pais, pode provar ser um dos livros que levem às maiores mudanças de vida e de cultura desta geração.

Sugestões de uma mãe

25 de julho de 2012 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil - (1 Comentário)

Criança orando antes da refeiçãoO texto abaixo, escrito por uma mãe anônima e traduzido para o português por Andrea Patrícia, do blog Maria Rosa, traz lições muito sábias sobre a criação de filhos em uma família católica. São alguns conselhos práticos sobre a educação religiosa das crianças e sobre como os pais podem educar seus filhos para que aprendam a buscar sempre uma vida virtuosa e de amor a Deus. Este texto foi um grande achado e espero que traga alguns pontos de meditação para as mães que acompanham as publicações aqui do blog. 

Como mãe, é bom, de vez em quando, parar por um tempinho e imitar o homem da parábola que, antes de construir uma torre, senta, toma o tempo para pensar, para esclarecer seu objetivo e os meios para alcançá-lo. Devido às constantes exigências do nosso tempo, as muitas preocupações que nos assaltam, corremos o risco, no calor da batalha, de perder de vista o objetivo supremo de nossa missão: educar nossos filhos para que eles se tornem santos! Se estamos realmente prontos para fazer tudo em nosso poder para assegurar o desenvolvimento físico, moral e intelectual dos nossos filhos, quanto mais de entusiasmo devemos ter para ajudar a tornarem-se santos? Como podemos fazer isso? Existem vários meios. Alguns são indispensáveis, outros podem variar de uma família para outra, de uma situação para outra. Todos estes meios, porém, jazem em alguns princípios sólidos: a importância do bom exemplo, a oração familiar, uma atmosfera de caridade e abnegação, a necessidade de distrações sãs. Aqui estão alguns meios que eu coloquei no teste da experiência, enquanto criava meus filhos. Que eles possam ajudar outras mães na sua nobre tarefa de educadora.

O bom exemplo tem uma influência inegável em matéria de educação. Nosso Senhor ensinou primeiro com o exemplo antes de ensinar pelas palavras. As crianças, especialmente as meninas, tornam-se a sua mãe, e os meninos só imitam o seu pai quando eles se tornam mais velhos. Mães superficiais e vazias gerarão meninas superficiais e vazias! O que é importante como educadoras é o que somos, ou pelo menos o que estamos tentando ser, mais do que o que dizemos. Nossas atitudes influenciam nossos filhos mais do que todas as nossas boas palavras! Se não damos maus exemplos, e praticamos o que nós exigimos dos nossos filhos, nossa tarefa como educadoras se tornará muito mais fácil.

Além disso, se queremos ser obedecidas, temos de ser coerentes em nossas necessidades! Primeiro de tudo, antes de mais nada, precisamos saber exatamente o que queremos, em seguida, dar as nossas ordens com a firme intenção de tê-las realizadas. Caso contrário, as crianças vão sentir hesitação e não vai se incomodar em ouvir o que estamos dizendo. Para ter certeza de ter sido ouvida e compreendida, faça com que as crianças repitam a ordem que você deu, isso vai evitar inúmeras “desobediências” involuntárias! Além disso, é importante dar ordens apenas razoáveis, e explicar muitas vezes aos nossos filhos porque nós estamos felizes ou infelizes com o seu comportamento. Certifique-se que pai e mãe estão de acordo. Há muitas crianças que tentam jogar um pai contra o outro, e depois de ter algo recusado por um dos pais, correm para o outro e conseguem – através de evasivas – a permissão negada e anunciam com triunfo: “Papai, ou mamãe, disse que sim!”. A este respeito, não nos esqueçamos de que a presença do pai, ainda na sua infância, é necessária para o equilíbrio psicológico e emocional, das crianças.

Se quisermos que nossos filhos amem a oração, devemos nos certificar de que Jesus se torne o seu Divino Amigo com quem é bom falar. Para falar com alguém, devemos primeiro olhar para ele, assim, antes de pedir aos nossos filhos para rezar, devemos colocá-los na presença de Deus. Devemos também evitar desencorajá-los por longas, cansativas e intermináveis orações, que vão tirar o gosto pela oração. Tanto quanto possível, devemos manter a oração em família à noite e ter a participação ativa de todos os filhos de acordo com sua idade. Eles podem, por exemplo, se revezar ao anunciar a intenção de cada dezena do rosário, ou rezar a dezena, etc. Durante o Advento, é importante que todos juntos se preparem para o Natal. Eles podem escolher uma das figuras do presépio e aproximá-la da Sagrada Família a cada dia se tiverem se comportado, ou outras atividades dessa natureza. Durante a Quaresma, é bom ajudar a concretizar, de uma forma ou de outra, todos os esforços e sacrifícios a serem feitos por membros da família. Finalmente, não devemos esquecer de orar muitas vezes pelas vocações, e colocar seus filhos para pensar nisso: “Jesus pode chamar um de nós para segui-Lo; poderia ser eu; Eu estaria pronto para responder: Senhor, aqui estou eu?”

A caridade é a virtude essencial de um Cristão. Temos de insistir com as crianças sem parar sobre esta marca de um verdadeiro Cristão: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,35). Devemos ensinar nossos filhos os reflexos Cristãos da paciência, bondade, perdão e mansidão. Criemos uma atmosfera de caridade dentro de nossas casas. Ensinemos nossos filhos a fazer tudo por amor, para agradar aos outros, mas, principalmente, por amor a Jesus, que vai premiar tudo o que é feito por Seu amor. Vamos ensiná-los a compartilhar, o espírito de sacrifício, e como prestar atenção aos outros. “Não faça aos outros aquilo que você não gostaria que os outros fizessem a ti!”. Na maioria das vezes, em crianças esse descuido é a raiz profunda do egoísmo. Faça-os pensar sobre aqueles que sofrem, sobre os doentes, os pobres. As crianças podem ser muito generosas, mas se não explicar-lhes nada, elas vão estagnar em seu descuido e vão crescer perfeitamente egoístas.

Quando tivermos que repreender um dos nossos filhos, isso nunca deve ser feito com impaciência ou raiva. A criança deve sentir, pelo contrário, que a punimos com pesar, porque ela está fazendo algo errado para ela, ou para o bem comum (da família). Para algumas crianças que podem ser particularmente difíceis, pode ser útil contar-lhes histórias em que o vilão é alguém exatamente como ele, e, em seguida, perguntar-lhe o que há para pensar sobre esse tipo de comportamento e qual seria sua punição adequada. Alguns pais vão se surpreender ao ver o quão severamente as crianças julgam e, consequentemente, como elas desprezam a fraqueza. Uma criança normal aceitará severidade, mas nunca injustiça! Punições coletivas em que a criança boa paga pela covarde devem ser evitadas. Mas com a punição, nunca devemos esquecer de manifestar o nosso amor por elas, pelos nossos gestos e as nossas palavras. Temos de ter tempo para explicar que se devemos puni-las, é para seu próprio bem e que um dia, Deus exigirá uma prestação de contas por parte dos pais.

Não se esqueça de que a confiança que você dá a seus filhos ajuda-os a crescer: “Eu fui ensinado a crer que devo ser bom, por isso deve haver algo de bom em mim, por isso eu posso ser bom!”. Dê-lhes responsabilidades adaptadas às suas idades. Nas famílias grandes, é bom fazer uma das crianças mais velhas responsáveis por uma das mais jovens, de acordo com as circunstâncias. Se nossos filhos mais velhos compreendem o seu papel e não abusam da sua autoridade, seus irmãos mais novos vão segui-los com confiança. Quando você escolhe um irmão mais velho para ser o padrinho de batismo do mais recente membro da família, [verificar o requisito de idade com sua paróquia – Nota do padre tradutor], explique a importância do seu papel! A obrigação de ser um modelo para o afilhado e rezar por ele será para ele um grande estímulo!

A disciplina é necessária em todos os lugares, mas é absolutamente indispensável em uma grande família! Se queremos que uma criança tenha bom desempenho na escola, nós temos que dar-lhe os meios. Ela deve ser capaz de trabalhar em paz, longe do ruído e das interrupções dos pequenos, para ser capaz de fazer sua lição de casa. O tempo de sono deve ser programado de acordo com a idade das crianças, e não com o capricho do momento. O cansaço gera más notas e mau humor.

Finalmente, se queremos que as crianças sejam felizes, elas devem ser abastecidas com entretenimento agradável. Quando bem escolhido, isso realmente ajuda a criança a fazer sua tarefas em família ou na escola com mais coragem e entusiasmo. A criança deve ter tempo para brincar e se divertir. Ensinar nossos filhos a serem úteis não consiste em transformá-los em uma empregada doméstica! Mas, admito, é normal que os filhos mais velhos aprendam a limpar e manter o arrumado seu quarto, e é certamente muito educativo ensiná-los a passar a ferro suas roupas, especialmente se eles são um pouco vaidosos e gostam de mudar de roupa frequentemente.

Mas não devemos continuamente impor aos nossos filhos tarefas desagradáveis. É nosso dever dar-lhes momentos de entretenimento sadio que lhes permitam relaxar no final de um longo dia de constantes esforços. A este respeito, devemos ter cuidado com o que nossas crianças estão lendo. Algum livro considerado “bom” pode prejudicar os leitores que são jovens demais! É como se fosse um bife: bom para um de dezesseis anos de idade, mas não para uma criança! Às vezes, alguns pais impõem o mesmo entretenimento, ao mesmo tempo para toda a família por medo de criar ciúme. Isto é frequentemente ressentido pelas crianças mais velhas como uma injustiça. Devemos escolher passatempos adaptados para as crianças mais velhas, bem como passatempos adaptados para as mais jovens. As crianças, através do curso dos anos, vão passar de um tipo para o outro, sem qualquer problema. Assim, as crianças mais velhas irão desfrutar das distrações adequadas à sua idade, enquanto os pais supervisionam todas elas.

Essas são algumas das lições que aprendi com minhas próprias experiências. Não tenho a pretensão de ser uma mãe perfeita, mas acredito que tenho dado muito amor aos meus filhos, e eu acho que, usando esses princípios, eu ajudei-os a se tornarem adultos equilibrados com uma consciência reta.

Seria imperdoável se eu não acrescentasse que, em meus momentos de dúvidas e dificuldades, eu sempre recorri a Maria, modelo perfeito da maternidade. Graças a seu apoio e sua intercessão, o nosso dever se torna mais fácil e mais frutífero. Que ela possa proteger todas as nossas famílias e fazer santos os nossos filhos!

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*Traduzido por Pe. Jaime Pazat de Lys para Angelus Press a partir do original publicado em Pour qu’il Règne (janeiro-fevereiro 2006), a revista bimensal do Distrito belga da FSSPX. A autora deseja permanecer anônima.