Informações para pais e educadores
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O sentido da educação física

20 de novembro de 2012 | Publicado por Mariana em Mensagem da Semana - (0 Comentário)

 O grande sentido da educação física é assegurar ao homem o domínio do espírito sôbre a matéria. É dar ao jovem um espírito forte através de um corpo forte. É formar a virilidade, no melhor sentido da palavra. É preparar pessoas saudáveis e enérgicas, que vençam com facilidade o calor e o frio, a chuva e o sol, o cansaço e a dor, a fome e a sêde, a timidez e o mêdo, a inibição e o respeito humano, a preguiça, a impureza, a covardia, a traição ao dever e todas as tentações. Esta fibra moral é a finalidade verdadeira de tôda educação, e a educação física há de colimá-la, se quiser ter sentido humano. A resistência física preparando a resistência moral.

A educação dos filhos – Mons. Álvaro Negromonte

O exemplo dos pais

8 de novembro de 2012 | Publicado por Mariana em Mensagem da Semana - (0 Comentário)

Fotografia do Papa Bento XVIJuntamente com a transmissão da fé e do amor do Senhor, uma das maiores tarefas da família é a de formar pessoas livres e responsáveis. Por isso os pais devem ir desenvolvendo nos seus filhos a liberdade, da qual durante algum tempo são tutores. Se eles veem que os seus pais e em geral os adultos que os rodeiam vivem a vida com alegria e entusiasmo, apesar das dificuldades, crescerá neles mais facilmente esse prazer imenso de viver que os ajudará a superar certamente os possíveis obstáculos e contrariedades que a vida humana comporta. Ademais, quando a família não se fecha em si mesma, os filhos vão aprendendo que toda pessoa é digna de ser amada, e que há uma fraternidade fundamental universal entre todos os seres humanos.

Pensamentos sobre a família – Bento XVI

A tradução abaixo, originalmente publicada no site do professor Rafael Falcón e gentilmente cedida por ele para divulgação aqui no Educação de Crianças, trata-se de um trecho do livro “The Well-Trained Mind: A Guide to Classical Education at Home” e explica a importância do ensino do Latim para crianças. Outros trechos deste mesmo livro já foram publicados aqui no blog e, para quem lê inglês, vale a pena comprar este maravilhoso guia de Educação Clássica para famílias de homeschoolers.

Aproveito para indicar um novo site sobre Homeschooling voltado para as famílias brasileiras: Homeschooling Brasil, de Rafael Falcón e Day Teixeira. No site há ótimos artigos sobre educação e homeschooling, além de atividades práticas traduzidas do livro Slow and Steady Get me Ready. Não deixem de conferir!

Cena do filme There be Dragons: Josemaria Escrivá ensinando latim

Cena do filme “There be Dragons”: Josemaria Escrivá ensinando latim

Por que as crianças deveriam estudar Latim?

Tradução: Rafael Falcón

Por que se importar com o latim? Trata-se, afinal, de uma “língua morta” (expressão pejorativa); não há literatura sendo produzida nela, ninguém a fala ou faz negócios por meio dela.

Nós nos importamos por uma série de razões.

O latim treina a mente para pensar de modo ordenado. A língua latina (já que está morta) é o idioma mais sistemático à nossa disposição. A disciplina de coordenar desinências e organizar a sintaxe (formas gramaticais) segundo conjuntos de regras é o equivalente mental de correr três quilômetros por dia. E, uma vez que o latim exige precisão, a mente latinizada acostuma-se a prestar atenção a detalhes – hábito que compensará especialmente quando for estudar matemática e ciências.

O latim melhora a habilidade no inglês. A estrutura gramatical do inglês é baseada no latim, bem como cerca de 50% do vocabulário inglês. O aluno que entende como o latim funciona raramente será confundido por uma sintaxe inglesa mais complexa ou por palavras inglesas obscuras. Susan atribui parte de seus elevados resultados nos testes-padrão (740 no SAT verbal, 800 no GRE verbal) ao estudo do latim, que ela iniciou na terceira série.

O latim prepara a criança para o estudo de outras línguas estrangeiras: francês, espanhol e italiano são todas aparentadas com o latim. Mesmo línguas não-latinas podem ser aprendidas mais facilmente se o latim já tiver sido estudado. A criança que já foi provada na sintaxe latina entende os conceitos de concordância, flexões nominais, conjugações verbais e gênero gramatical, não importa em que língua esses conceitos venham a aparecer.

O latim protege da arrogância. O estudo desse idioma mostra ao jovem que seu mundo, sua língua, seu vocabulário e seu modo de expressão são apenas um jeito de viver e pensar – num mundo grande, tumultuado e complicado. O latim força o aluno a olhar para palavras e conceitos de um novo modo:

O que esta palavra em latim quer dizer realmente?
Esta palavra inglesa é uma boa tradução dela?
A palavra latina não expressa algo que não possui equivalente em inglês?
Isto revela um vão no meu próprio pensamento?

Um idioma estrangeiro, como escreveu Neil Postman, “oferece-nos a entrada numa cosmovisão diferente da nossa própria… Se é importante que nossos jovens valorizem a diversidade de pontos de vista, não há melhor meio de atingi-lo que fazer-lhes aprender um idioma estrangeiro”. (The End of Education: Redefining the Value of Schools. New York: Knopf, 1995, p. 147)

Filhos superprotegidos

25 de outubro de 2012 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil - (2 Comentários)

Hoje em dia o fenômeno da superproteção dos filhos tem estado muito presente nas famílias. Talvez porque os pais, trabalhando cada vez mais e passando cada vez menos tempo em casa, tentam de alguma forma suprir a falta que suas presenças fazem na vida dos filhos. Temem disciplinar suas crianças nos breves períodos em que estão em casa, fazem suas vontades ou compram muitos presentes para compensar a ausência. Sabemos que nada disso faz bem para a formação do caráter da criança. O artigo abaixo, que encontrei no boletim de notícias do The Family Watch (Instituto Internacional de Estudios sobre la Familia) traz um diagnóstico interessante sobre as famílias com filhos superprotegidos, aponta os futuros problemas que estas crianças poderão sofrer e enumera algumas medidas para que esses pais possam agir de outra forma. No final do texto (em laranja), vejam algumas breves ressalvas que escrevi sobre as medidas de prevenção apresentadas pelo autor.

Criança fazendo birra

A superproteção, um erro que nossos filhos pagarão no futuro – por Fernando S. López

(Original no site The Family Watch)

Tradução: Mariana Discacciati Pazzini

Há alguns anos foi produzida a seguinte cena na sala de um diretor de um colégio: depois de entregar as notas de setembro e ver que seu filho teria que repetir o ano por haver sido reprovado em três disciplinas – com notas muito, muito baixas – uma mãe, acompanhada do seu filho, se apresentou na sala do diretor para reclamar a aprovação do menino. Diante da negativa do diretor, não duvidou em responsabilizar o colégio pelo presente e futuro fracasso do seu filho.

Aproveitou também para deixar claro que toda a culpa pelas suspensões era dos professores das disciplinas e dos professores particulares que havia contratado durante todo o ano para ajudarem seu filho. Ao ser questionada pelo diretor se seu filho teria alguma responsabilidade nos maus resultados, contestou: “nenhuma. Meu filho trabalhou muito durante todo o ano”. Esta cena, que por desgraça ocorre cada vez mais nos colégios, é um claro exemplo – de muitos que poderíamos levantar – de uma das anomalias educativas que mais está proliferando nos últimos anos: a superproteção.

A superproteção, esse desejo de evitar que nossos filhos sofram qualquer dano físico ou emocional por mínimo que seja, é algo que está muito presente na sociedade atual e, portanto, também nas escolas. É um claro desvio educacional provocado pelo vínculo emocional que une de uma maneira especial os pais a seus filhos.

A educação é uma arte e um dos seus desafios mais difíceis é saber até que ponto um pai pode se meter na vida de um filho, averiguar quando deve prestar ajuda e quando deve deixar que seja ele sozinho a resolver o problema. É doloroso ver um filho em uma situação difícil, mas temos que compreender que um filho deve crescer e alcançar sua autonomia.

Em todas as situações e circunstâncias da vida social vemos de maneira permanente a atitude protetora dos pais. Quase sempre com fins muito nobres, tratando de evitar um sofrimento ou uma sensação de fracasso que afete sua autoestima. Isto já supõe um problema em si mesmo, que aumenta quando os pais buscam “culpados externos” em situações como um castigo, uma reprimenda escrita de um professor, uma prova com uma nota baixa, um conflito com colegas, etc., e eliminam de seu filho qualquer responsabilidade nesses feitos.

Aqui é onde temos o grande problema. Quando os pais, insisto, para evitar uma sensação de fracasso ou um sofrimento, fazem a outros responsáveis pelas faltas de seus filhos, eximem-no, portanto, de qualquer tipo de responsabilidade perante feitos e situações. Com isso fazem com que seu filho não aprenda e não se forme em uma qualidade; em uma virtude ou em um valor tão básico para seu futuro como a responsabilidade e o saber assumir as consequências das suas ações: faltas de educação, faltas de companheirismo, não haver estudado o suficiente…

E quem são os culpados externos? Temos um amplo leque, tantos como as circunstâncias possíveis. Os mais habituais são os amigos, primos, a televisão e, no âmbito da escola, os professores. Mas esses não são os únicos. Em algumas ocasiões são os próprios pais que se culpam e se responsabilizam pelos erros de seu filho com o objetivo de poupar-lhe de um desgosto ou de um possível “trauma”. Pior e mais perigosa por suas consequências é a situação em que um dos cônjuges culpa o outro, provocando um enfrentamento que rompe e anula algo tão especial para a educação de um filho como a unidade de critério.

Nós, pais, temos que ser fortes. Como dizíamos no início, não é agradável ver nosso filho sofrer, por isso nos ajudará conhecer alguns dos possíveis efeitos da superproteção.

Os possíveis efeitos da superproteção: a síndrome do imperador, ansiedades e depressões. Há consequências por proteger nossos filhos em demasia? Cremos que estamos fazendo um bem quando no fundo plantamos a semente de um mal mais que provável? A resposta é sim, ainda que nisto não haja ciências exatas.

Bem, é preciso ter claro que praticando esse estilo educativo aumentamos muito as possibilidades de que nossos filhos sofram algumas das seguintes consequências que, como veremos, vão encadeadas:

A primeira é a dependência excessiva, consequência lógica, já que acostumamos a criança desde a sua mais tenra infância a fazer as coisas por ela ou estar permanentemente ao seu lado. Esta dependência dirige a criança a uma insegurança de si mesma, a uma falta de confiança. Ou seja, é esta dependência – e não os maus resultados – que ataca diretamente a sua autoestima, já que a criança considera desde seus primeiros anos ser incapaz de conseguir fazer alguma coisa por si mesma. Nesta mesma linha provocaremos em nosso filho uma total falta de iniciativa própria e um inadequado desenvolvimento da criatividade.

Incapacidade para assumir com responsabilidade as consequências dos seus atos, já que são seus pais, seus professores, seus alunos ou outros os que costumam assumi-las. Com o passar dos anos nosso filho, perante situações importantes, irá manifestando e sofrendo sentimentos de inutilidade, que irão se apresentar de maneira relevante em sua dificuldade para tomar decisões. Na vida profissional isso se manifesta na incapacidade para assumir responsabilidades e na necessidade de ocupar postos de trabalho em que sejam dirigidos de maneira clara por outra pessoa. Na vida familiar, buscam como complemento para compartilhar sua vida, homens ou mulheres com caráter que assumam totalmente o papel de autoridade e dirijam os rumos do matrimônio.

Outra consequência é que é fácil que se tornem egocêntricos e tiranos com todo o seu entorno. Como consequência disso, em nossa sociedade está aumentando de maneira alarmante o número de crianças que sofrem a chamada “síndrome do imperador”: o maltrato físico ou psíquico dos pais pelos seus filhos. Este é um problema que se caracteriza por um comportamento agressivo (verbal ou físico), ou condutas desafiadoras e violação de normas e limites familiares; ainda assim costumam apresentar um alto nível de egocentrismo, junto a uma baixa empatia, autoestima e tolerância à frustração.

Com o passar do tempo, todas essas circunstâncias levam nossos filhos a sofrerem uma clara tendência ao pensamento negativo e ao pessimismo. E como consequência disto têm uma predisposição maior a padecerem de depressão e transtornos afetivos.

Como podemos observar, estamos diante de um tema sério, que pode provocar em nossos filhos danos que irão afetá-los pelo resto de seus dias.

13 conselhos para ajudar um pai a ser exigente e a “deixar seu filho sofrer”:

De pouco vale diagnosticar um mal se não se pode dar ao mesmo tempo alguns remédios para poder curá-lo. Ao menos para tentar que os pais tenham alguns instrumentos com os quais poderão atenuar os momentos de maiores dificuldades, pois ninguém disse que educar um filho é fácil.

– Deixar que enfrente as dificuldades e os problemas para encontrar a solução por si mesmo. Neste caso não o deixaremos sozinho, mas iremos ensiná-lo, acompanhá-lo e apoiá-lo para que consiga.

– Tratá-lo de acordo com sua idade. Ou seja, deve ser capaz de realizar as tarefas próprias para a sua idade. Não devemos cair no erro de atrasar a exigência.

Em muitas ocasiões os pais vêm seus filhos como seres pequenos incapazes de alcançar uma meta. Temos que ser conscientes de que de fato são pequenos, mas não são bobos… e, portanto, podem assumir tarefas no lar desde muito novos. Destacamos neste ponto a grandeza educativa das “tarefas” em casa.

Nesta mesma linha, também não podemos adiantar-lhe novas situações próprias de idades mais avançadas. É muito surpreendente que os pais que mais abusam da superproteção são os que deixam seus filhos integrarem-se a grupos muito cedo, para não causar-lhes um isolamento do grupo ou uma deficiência da socialização, sem avaliarem os perigos de uma integração no mundo sem a maturidade suficiente.

– Ajudar-lhe quando necessite, mas sem solucionar sempre seus problemas. Deve aprender por si mesmo a buscar as soluções ou o apoio necessários.

No caso do estudo: todos os alunos, salvo os que têm algum problema diagnosticado, são capazes de estudar e realizar suas tarefas sozinhos. Se não entendem algo, para isto há o professor da disciplina. Nossa tarefa e obrigação é colocar nas mãos dos nossos filhos tudo o que for necessário para que possam executar seu trabalho acadêmico: um bom colégio, um lugar e um horário de estudo em casa. Mas não é necessário nem aconselhável estudar com eles. Isto implica educar em liberdade e, portanto, aceitar por um lado a possibilidade de que nosso filho faça mau uso dessa liberdade e, por outro, as consequências (suspensões, repetição de ano…).

É claro que as crianças precisam de um tempo para estudar sozinhas. Mas da maneira como estão hoje as escolas, com tanta doutrinação esquerdista e professores despreparados, é fundamental que os pais supervisionem o conteúdo que estiver sendo ensinado e, além disso, complementem a educação dos seus filhos, indicando boas leituras, ajudando e incentivando as pesquisas sobre diversos temas, etc.

– É preciso que haja limites claros em casa, não se deve dar tudo o que o filho pedir. Deve aprender que é preciso esforço para conseguir as coisas.

Temos que ser conscientes de que as crianças são insaciáveis. Quando já têm o que querem fixam rapidamente seu novo objetivo. Já não lhe é suficiente o celular que compramos, nem a viagem a Veneza, nem o esforço que fizemos uma tarde para ir jogar tênis com ele. Tudo perde rapidamente o valor.

– Ser exigentes com as tarefas a realizar no lar – arrumar a cama desde pequenos, manter o quarto organizado… -, com o cumprimento de um horário de estudo, de saídas com os amigos, do uso do computador, redes sociais e televisão. Em consequência, ser mais exigentes na educação da ordem. Os filhos não sofrem ao receberem exigências. E, mais ainda, necessitam que seus pais lhes dêem limites que eles mesmos são incapazes de estabelecer. A única coisa que faz um filho sofrer é a falta de amor, ou seja, não se sentir querido.

É preciso ter cuidado para não sobrecarregar as crianças com ordens excessivas. Os pais precisam pensar antes de dar uma ordem, pois uma criança percebe qualquer incoerência ou ordem sem propósito, e isto enfraquece muito a autoridade dos pais (os filhos podem passar a desobedecê-los). É preciso estabelecer limites, mas sendo sempre coerente e mantendo a tranquilidade. Sobre este assunto, vale a pena relembrar os ensinamentos do Pe. Courtois já publicados aqui no blog. Estabelecer uma rotina para a família também é de grande auxílio: prevendo o que acontecerá no dia, a criança não fica ansiosa e irritadiça e se acostuma a realizar suas tarefas sem que os pais precisem exigir ou brigar com ela o tempo todo.

– Perante conflitos na escola com colegas ou com professores. A primeira regra e mais importante é não falar mal dos professores diante dos nossos filhos. Fazendo isso destruímos o valor da autoridade, tão importante também para o futuro em todos os âmbitos.

Não criticar os professores é uma tarefa complicada diante da situação das escolas hoje. Muitas vezes as crianças voltarão para casa contando o que aprenderam na escola: informações equivocadas e imprecisas, lições politicamente corretas ou que vão contra a moral da família, etc. Nessas horas os pais precisam sim corrigir os professores. Não se trata de falar mal deles, de fato, mas de corrigir o que quer que tenham ensinado errado. Os pais que não têm condição de colocar em prática a Educação Domiciliar (Homeschooling) e precisam enviar seus filhos para a escola, têm que ficar muito mais atentos e vigilantes em relação ao que seus filhos aprenderem com os professores e colegas.

– Por último, ter claro que tanto das “boas ações” como das “más” o verdadeiro protagonista é ele. Ele é o responsável por suas ações. E exercendo essa responsabilidade aprenderá com suas boas e más ações e com as consequências das mesmas. Essa lição é necessária e por muito que nos custe não devemos eliminá-la.

O próprio Bento XVI falou sobre o perigo da superproteção:

“O sofrimento é parte da nossa vida. Ao tratar de proteger os filhos de toda dificuldade e experiência de dor, corremos o risco de educar, apesar de nossas boas intenções, pessoas frágeis e pouco generosas: a capacidade de amar corresponde, de fato, à capacidade de sofrer, e de sofrer juntos”.

Para quem tem crianças pequenas, o blog inglês The Imagination Tree é uma ótima referência para atividades muito fáceis de fazer com materiais encontrados em casa. A autora do blog, Anna, indica as habilidades trabalhadas em cada atividade e ilustra tudo com muitas imagens, portanto, mesmo quem não lê inglês perfeitamente consegue compreender um pouco do conteúdo. Fica aí a dica!

Imagem do blog The Imagination TreeImagem do blog The Imagination TreeImagem do blog The Imagination Tree

Nos elogios como nas reprimendas, nas recompensas como nas punições, é preciso ter medida, lógica e justiça. Medida, porque o excesso acaba por desconcertar e mesmo por fazer duvidar do julgamento de quem detém a autoridade. Lógica, porque nada adianta felicitar hoje por uma ação que ontem mereceu uma crítica. Justiça, porque uma recompensa imerecida perde o interêsse e a fôrça.

Cumpre evitar fazer elogios sem reserva às crianças. A discrição é quase sempre necessária. É claro que testemunhamos nossa estima: ‘Sempre acreditei que eras capaz disso e de mais ainda.’ Estimulemos mas não tratemos a criança como se ela fôsse uma perfeição confirmada em graça. A criança, a quem exprimimos sem cautela e sem medida todo o bem que dela pensamos, corre o risco de tornar-se imediatamente gabola ou um pavãozinho infatuado dos seus próprios méritos.

A arte de educar as crianças hoje – Pe. G. Courtois