Informações para pais e educadores
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Outro dia eu estava conversando com um grupo de crianças de quatro anos e mostrei a elas a reprodução de uma pintura do artista americano Norman Rockwell.

Pintura de Norman Rockwell: The boy who put the world on wheels
Norman Rockwell. The boy who put the world on wheels. 1952. Óleo sobre tela.

Na pintura, o menino está segurando um carrinho de madeira e, por conta disso, comecei a perguntar para as crianças do que elas brincavam e se elas achavam que as crianças de antigamente, como o garoto da pintura, brincavam das mesmas coisas que elas. Muitas das crianças disseram que brincavam com videogames, televisão e joguinhos de computador. Eu disse então que na época em que o Norman Rockwell fez a pintura, muito disso não existia e que, por exemplo, poucas famílias possuíam televisão e muitas crianças costumavam brincar de outras maneiras. Fiquei muito intrigada quando uma das meninas me perguntou logo em seguida:

– Mas se não tinha televisão, como o menino dormia?

Sem entender a princípio qual era a relação, perguntei o que ela queria dizer. Explicando melhor, ela disse:

– Ele conseguia dormir sem ver televisão?

Onde foi parar a história e os rituais da hora de dormir? Adormecer na companhia de uma TV ligada não é saudável para um adulto, muito menos para uma criança…

É importante que os pais se conscientizem sobre os problemas relacionados à exposição de crianças à TV e jogos eletrônicos. Para saber um pouco mais sobre isso, deixo como sugestão para leitura um extenso artigo de Valdemar Setzer, professor do Departamento de Ciência da Computação da USP, onde ele apresenta uma coletânea de estudos que apontam diversos efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças, adolescentes e adultos. Dentre os dezenove problemas apontados por Setzer, creio que os mais graves e freqüentes são os problemas de atenção e hiperatividade, agressividade, prejuízo para a leitura, diminuição do rendimento escolar e prejuízo para a cognição, prejuízo para a criatividade, vício, indução ao consumismo e problemas causados pelo mau uso da internet.

Peça a uma criança que passa horas em frente a TV ou jogando videogame que invente alguma brincadeira ou imagine algo diferente para fazer: ela irá sofrer com um prolongado branco, as idéias simplesmente não virão. E digo isto por já ter observado casos como esse. Os prováveis efeitos positivos da TV ou de jogos eletrônicos que alguém possa vir a defender nem de longe superam os problemas, e nisso não excluo nem mesmo os ditos programas educativos. Em outro post falarei sobre eles.

Filhos de pais que falam muito, contam histórias e lêem livros em voz alta (e nunca se cansam de relê-los) são os que melhor desenvolvem a linguagem – algo que podemos facilmente constatar através do contato com famílias bastante falantes e famílias não muito falantes. O texto abaixo é uma tradução que fiz de um trecho do livro “The Well-Trained Mind: a guide to classical education at home” (A mente bem treinada: um guia para educação clássica em casa). Leia e veja algumas orientações sobre como desenvolver a linguagem de seu filho:

Fotografia de uma leitura em família

Desligue a televisão – meia hora por dia é muito para qualquer criança com menos de cinco anos. Fale, fale, fale – fala de adulto, não de bebê. Fale com a criança enquanto vocês caminham no parque, enquanto você dirige, enquanto você prepara o jantar. Diga a ela o que você está fazendo enquanto você estiver fazendo. (…) (“Eu derramei farinha no chão. Eu vou pegar o aspirador de pó e ligá-lo. Eu acho que vou usar essa escova – é a escova para móveis, mas a farinha caiu entre as rachaduras, então deve funcionar melhor do que a escova para chão”). Esse tipo de tagarelice constante estabelece a base verbal na mente de seu filho. Ele está aprendendo que palavras são usadas para planejar, para pensar, para explicar; ele está percebendo como o idioma inglês [português, em nosso caso] organiza as palavras em frases e sentenças completas. Nós temos percebido que crianças de famílias silenciosas (“Nós realmente nunca falamos muito durante o dia”, nos disse certa vez uma mãe) lutam para ler.

Leia, leia, leia. Comece lendo livros grandes para seu bebê no berço. Dê a ele livros grossos para que ele possa olhar sozinho. (…) Leia livros com imagens, apontando para as palavras com seus os dedos. Leia o mesmo livro várias e várias vezes; a repetição constrói a linguagem (mesmo que lentamente te leve à loucura). Leia longos livros sem imagens enquanto seu filho está em seu colo, ou brincando no chão, ou cortando, colando e colorindo”.

(Susan Wise Bauer e Jessie Wise. The Well-Trained Mind: a guide to classical education at home. 2009. p. 27.)

Mensagem de Goya

27 de outubro de 2011 | Publicado por Mariana em Mensagem da Semana - (0 Comentário)

O filho é travesso e a mãe é colérica. Qual é o pior?

Francisco de Goya

Gravura de Francisco de Goya - Se quebró el cantaro, da série Los Caprichos

"Se quebró el cantaro". Série "Los Caprichos" (1797 - 1799). Francisco de Goya. Gravura em metal.

Há muitas maneiras de se estragar uma criança: estraga-se o seu espírito pelo exagero impensado dos elogios. Estraga-se os seu caráter fazendo-lhe todas as vontades. Estraga-se seu coração ocupando-se excessivamente dela, adorando-a, idolatrando-a. Todas essas maneiras de estragar as crianças podem reduzir-se ao desenvolvimento de dois princípios funestos, fontes de toda a perversidade humana: a languidez da vontade e o orgulho.

A Arte de Educar as Crianças de Hoje – Pe. G. Courtois