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Poupando os filhos do sofrimento e da tristeza

24 de Maio de 2012 | Publicado por Mariana em Mensagem da Semana

É um fenômeno da psicologia humana o exagero em questões afetivas. Tendo de amar seus filhos, não escapam as mães a esse fato. Ter uma bondade indulgente, paciente, inesgotável para com os filhos, é exigência de tôda afeição verdadeira e profunda. Mas semelhante bondade não exclui a clarividência. Facilmente o amor materno converte a bondade em fraqueza, que desculpa o indesculpável e o prejudicial. Nem é raro ver uma mãe, num feroz egoísmo, sacrificar tudo e todos pelo filho.

Dizem as mães: somos assim porque queremos ver nossos filhos felizes. Poupamos a eles todo sofrimento e tôda tristeza, porque terão tudo isso de sobra no correr da vida. Justamente isso é uma grande ilusão, leitora. Hoje querem as mães poupar aos filhos pequenos padecimentos e diárias renúncias, para depois lhes multiplicarem os sofrimentos que fazem o quinhão da vida para todos. Suprimindo as duras e pequeninas dolorosas realidades na vida infantil, formam um meio fictício e irreal para a criança. Ninguém aprova o jardineiro que, tendo de plantar uma árvore para ser sacudida pelas tempestades, a cria primeiramente dentro de uma estufa.

A criança acostuma-se a uma vida calma, acariciada, aveludada. Renúncia, contrariedade, dor – tudo lhe é terra desconhecida. De repente a vida muda os bastidores, de repente pega “do filhinho da mãezinha” e atira-o na torrente das lutas e abnegações. Teremos então um náufrago. Cada espinho que mais tarde ferir os pés desta criança, dela arrancará uma praga, uma revolta e, quem sabe, uma maldição para a mãe.

As três chamas do lar – Geraldo Pires de Sousa C. SS. R.

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