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Sugestões de uma mãe

25 de julho de 2012 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil

Criança orando antes da refeiçãoO texto abaixo, escrito por uma mãe anônima e traduzido para o português por Andrea Patrícia, do blog Maria Rosa, traz lições muito sábias sobre a criação de filhos em uma família católica. São alguns conselhos práticos sobre a educação religiosa das crianças e sobre como os pais podem educar seus filhos para que aprendam a buscar sempre uma vida virtuosa e de amor a Deus. Este texto foi um grande achado e espero que traga alguns pontos de meditação para as mães que acompanham as publicações aqui do blog. 

Como mãe, é bom, de vez em quando, parar por um tempinho e imitar o homem da parábola que, antes de construir uma torre, senta, toma o tempo para pensar, para esclarecer seu objetivo e os meios para alcançá-lo. Devido às constantes exigências do nosso tempo, as muitas preocupações que nos assaltam, corremos o risco, no calor da batalha, de perder de vista o objetivo supremo de nossa missão: educar nossos filhos para que eles se tornem santos! Se estamos realmente prontos para fazer tudo em nosso poder para assegurar o desenvolvimento físico, moral e intelectual dos nossos filhos, quanto mais de entusiasmo devemos ter para ajudar a tornarem-se santos? Como podemos fazer isso? Existem vários meios. Alguns são indispensáveis, outros podem variar de uma família para outra, de uma situação para outra. Todos estes meios, porém, jazem em alguns princípios sólidos: a importância do bom exemplo, a oração familiar, uma atmosfera de caridade e abnegação, a necessidade de distrações sãs. Aqui estão alguns meios que eu coloquei no teste da experiência, enquanto criava meus filhos. Que eles possam ajudar outras mães na sua nobre tarefa de educadora.

O bom exemplo tem uma influência inegável em matéria de educação. Nosso Senhor ensinou primeiro com o exemplo antes de ensinar pelas palavras. As crianças, especialmente as meninas, tornam-se a sua mãe, e os meninos só imitam o seu pai quando eles se tornam mais velhos. Mães superficiais e vazias gerarão meninas superficiais e vazias! O que é importante como educadoras é o que somos, ou pelo menos o que estamos tentando ser, mais do que o que dizemos. Nossas atitudes influenciam nossos filhos mais do que todas as nossas boas palavras! Se não damos maus exemplos, e praticamos o que nós exigimos dos nossos filhos, nossa tarefa como educadoras se tornará muito mais fácil.

Além disso, se queremos ser obedecidas, temos de ser coerentes em nossas necessidades! Primeiro de tudo, antes de mais nada, precisamos saber exatamente o que queremos, em seguida, dar as nossas ordens com a firme intenção de tê-las realizadas. Caso contrário, as crianças vão sentir hesitação e não vai se incomodar em ouvir o que estamos dizendo. Para ter certeza de ter sido ouvida e compreendida, faça com que as crianças repitam a ordem que você deu, isso vai evitar inúmeras “desobediências” involuntárias! Além disso, é importante dar ordens apenas razoáveis, e explicar muitas vezes aos nossos filhos porque nós estamos felizes ou infelizes com o seu comportamento. Certifique-se que pai e mãe estão de acordo. Há muitas crianças que tentam jogar um pai contra o outro, e depois de ter algo recusado por um dos pais, correm para o outro e conseguem – através de evasivas – a permissão negada e anunciam com triunfo: “Papai, ou mamãe, disse que sim!”. A este respeito, não nos esqueçamos de que a presença do pai, ainda na sua infância, é necessária para o equilíbrio psicológico e emocional, das crianças.

Se quisermos que nossos filhos amem a oração, devemos nos certificar de que Jesus se torne o seu Divino Amigo com quem é bom falar. Para falar com alguém, devemos primeiro olhar para ele, assim, antes de pedir aos nossos filhos para rezar, devemos colocá-los na presença de Deus. Devemos também evitar desencorajá-los por longas, cansativas e intermináveis orações, que vão tirar o gosto pela oração. Tanto quanto possível, devemos manter a oração em família à noite e ter a participação ativa de todos os filhos de acordo com sua idade. Eles podem, por exemplo, se revezar ao anunciar a intenção de cada dezena do rosário, ou rezar a dezena, etc. Durante o Advento, é importante que todos juntos se preparem para o Natal. Eles podem escolher uma das figuras do presépio e aproximá-la da Sagrada Família a cada dia se tiverem se comportado, ou outras atividades dessa natureza. Durante a Quaresma, é bom ajudar a concretizar, de uma forma ou de outra, todos os esforços e sacrifícios a serem feitos por membros da família. Finalmente, não devemos esquecer de orar muitas vezes pelas vocações, e colocar seus filhos para pensar nisso: “Jesus pode chamar um de nós para segui-Lo; poderia ser eu; Eu estaria pronto para responder: Senhor, aqui estou eu?”

A caridade é a virtude essencial de um Cristão. Temos de insistir com as crianças sem parar sobre esta marca de um verdadeiro Cristão: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,35). Devemos ensinar nossos filhos os reflexos Cristãos da paciência, bondade, perdão e mansidão. Criemos uma atmosfera de caridade dentro de nossas casas. Ensinemos nossos filhos a fazer tudo por amor, para agradar aos outros, mas, principalmente, por amor a Jesus, que vai premiar tudo o que é feito por Seu amor. Vamos ensiná-los a compartilhar, o espírito de sacrifício, e como prestar atenção aos outros. “Não faça aos outros aquilo que você não gostaria que os outros fizessem a ti!”. Na maioria das vezes, em crianças esse descuido é a raiz profunda do egoísmo. Faça-os pensar sobre aqueles que sofrem, sobre os doentes, os pobres. As crianças podem ser muito generosas, mas se não explicar-lhes nada, elas vão estagnar em seu descuido e vão crescer perfeitamente egoístas.

Quando tivermos que repreender um dos nossos filhos, isso nunca deve ser feito com impaciência ou raiva. A criança deve sentir, pelo contrário, que a punimos com pesar, porque ela está fazendo algo errado para ela, ou para o bem comum (da família). Para algumas crianças que podem ser particularmente difíceis, pode ser útil contar-lhes histórias em que o vilão é alguém exatamente como ele, e, em seguida, perguntar-lhe o que há para pensar sobre esse tipo de comportamento e qual seria sua punição adequada. Alguns pais vão se surpreender ao ver o quão severamente as crianças julgam e, consequentemente, como elas desprezam a fraqueza. Uma criança normal aceitará severidade, mas nunca injustiça! Punições coletivas em que a criança boa paga pela covarde devem ser evitadas. Mas com a punição, nunca devemos esquecer de manifestar o nosso amor por elas, pelos nossos gestos e as nossas palavras. Temos de ter tempo para explicar que se devemos puni-las, é para seu próprio bem e que um dia, Deus exigirá uma prestação de contas por parte dos pais.

Não se esqueça de que a confiança que você dá a seus filhos ajuda-os a crescer: “Eu fui ensinado a crer que devo ser bom, por isso deve haver algo de bom em mim, por isso eu posso ser bom!”. Dê-lhes responsabilidades adaptadas às suas idades. Nas famílias grandes, é bom fazer uma das crianças mais velhas responsáveis por uma das mais jovens, de acordo com as circunstâncias. Se nossos filhos mais velhos compreendem o seu papel e não abusam da sua autoridade, seus irmãos mais novos vão segui-los com confiança. Quando você escolhe um irmão mais velho para ser o padrinho de batismo do mais recente membro da família, [verificar o requisito de idade com sua paróquia – Nota do padre tradutor], explique a importância do seu papel! A obrigação de ser um modelo para o afilhado e rezar por ele será para ele um grande estímulo!

A disciplina é necessária em todos os lugares, mas é absolutamente indispensável em uma grande família! Se queremos que uma criança tenha bom desempenho na escola, nós temos que dar-lhe os meios. Ela deve ser capaz de trabalhar em paz, longe do ruído e das interrupções dos pequenos, para ser capaz de fazer sua lição de casa. O tempo de sono deve ser programado de acordo com a idade das crianças, e não com o capricho do momento. O cansaço gera más notas e mau humor.

Finalmente, se queremos que as crianças sejam felizes, elas devem ser abastecidas com entretenimento agradável. Quando bem escolhido, isso realmente ajuda a criança a fazer sua tarefas em família ou na escola com mais coragem e entusiasmo. A criança deve ter tempo para brincar e se divertir. Ensinar nossos filhos a serem úteis não consiste em transformá-los em uma empregada doméstica! Mas, admito, é normal que os filhos mais velhos aprendam a limpar e manter o arrumado seu quarto, e é certamente muito educativo ensiná-los a passar a ferro suas roupas, especialmente se eles são um pouco vaidosos e gostam de mudar de roupa frequentemente.

Mas não devemos continuamente impor aos nossos filhos tarefas desagradáveis. É nosso dever dar-lhes momentos de entretenimento sadio que lhes permitam relaxar no final de um longo dia de constantes esforços. A este respeito, devemos ter cuidado com o que nossas crianças estão lendo. Algum livro considerado “bom” pode prejudicar os leitores que são jovens demais! É como se fosse um bife: bom para um de dezesseis anos de idade, mas não para uma criança! Às vezes, alguns pais impõem o mesmo entretenimento, ao mesmo tempo para toda a família por medo de criar ciúme. Isto é frequentemente ressentido pelas crianças mais velhas como uma injustiça. Devemos escolher passatempos adaptados para as crianças mais velhas, bem como passatempos adaptados para as mais jovens. As crianças, através do curso dos anos, vão passar de um tipo para o outro, sem qualquer problema. Assim, as crianças mais velhas irão desfrutar das distrações adequadas à sua idade, enquanto os pais supervisionam todas elas.

Essas são algumas das lições que aprendi com minhas próprias experiências. Não tenho a pretensão de ser uma mãe perfeita, mas acredito que tenho dado muito amor aos meus filhos, e eu acho que, usando esses princípios, eu ajudei-os a se tornarem adultos equilibrados com uma consciência reta.

Seria imperdoável se eu não acrescentasse que, em meus momentos de dúvidas e dificuldades, eu sempre recorri a Maria, modelo perfeito da maternidade. Graças a seu apoio e sua intercessão, o nosso dever se torna mais fácil e mais frutífero. Que ela possa proteger todas as nossas famílias e fazer santos os nossos filhos!

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*Traduzido por Pe. Jaime Pazat de Lys para Angelus Press a partir do original publicado em Pour qu’il Règne (janeiro-fevereiro 2006), a revista bimensal do Distrito belga da FSSPX. A autora deseja permanecer anônima.

 

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