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Rebeldia adolescente

2 de agosto de 2012 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil

Existe um consenso entre muitas pessoas sobre o fato de que é normal e inevitável que adolescentes se rebelem contra seus pais e contra sua família. Não acredito que isto seja verdade, pois é perfeitamente possível que os pais conquistem seus filhos adolescentes se souberem compreender as mudanças pelas quais os jovens passam nessa fase. É importante também que os pais não subestimem ou desencorajem os jovens a fazerem coisas desafiadoras, pois é assim que se sentirão capazes, valorizados e aprenderão a ter um posicionamento mais ativo e de iniciativa ao longo da vida. É justamente isso que explica Michael Smith, presidente da Home School Legal Defense Association (HSLDA), no artigo abaixo.

Tobias Noyes palestrando

Educação em Casa: adolescentes desafiados a fazerem coisas mais difíceis – por Michael Smith

(Original no site The Washington Times)

Tradução: Mariana Discacciati

Qual é a primeira coisa que vem em sua mente quando você escuta a palavra “adolescente”? Para muitos, ela não é positiva.

A revolta adolescente tem se tornado lugar comum e nossa cultura tem respondido esperando cada vez menos dos adolescentes. Mas a revolta adolescente é inevitável ou existem outras formas de pensar que tratam desse problema? A responsabilidade pela revolta adolescente e pelo baixo desempenho deve cair principalmente nos ombros dos pais e demais adultos. Isso porque nossas expectativas atuais para os adolescentes fornecem pouquíssimos desafios.

Alex e Brett Harris, gêmeos de 19 anos de idade educados em casa, estão tentando dar aos adultos e adolescentes um chamado para acordarem. Em seu livro, “Do Hard Things” (publicado no Brasil pela editora Mundo Cristão sob o título “Radicalize”), eles tentam explodir o mito sobre a adolescência. Eles mostram que antes do início do século XX as pessoas eram ou crianças ou adultas. Família e trabalho eram as ocupações primárias do grupo que hoje chamamos “adolescentes”. Adolescentes, embora muitas vezes impulsionados pela necessidade econômica, assumiam responsabilidades do mundo real. Hoje, é esperado de poucos adolescentes que imitem as responsabilidades adultas e são, ao contrário, imersos na frívola cultura se seus pares.

Os gêmeos Harris não são os únicos escritores a questionar o julgamento comum sobre adolescentes. Robert Epstein, um pesquisador de Psicologia de longa data e que concluiu seu doutorado em Harvard, expôs o mito sobre o cérebro adolescente em seu livro “The Case Against Adolescence: Rediscovering the Adult in Every Teen” (O caso contra a adolescência: redescobrindo o adulto em cada adolescente). Ele argumenta contra a crença comum mantida na comunidade científica de que um cérebro não desenvolvido completamente justificaria os problemas emocionais e o comportamento irresponsável entre muitos adolescentes.

O Sr. Epstein mostra que as diferenças no cérebro adolescente são o resultado de influências sociais, ao invés da causa das conturbações na adolescência. Ele conclui que uma revisão cuidadosa da pesquisa mostra que o cérebro adolescente sobre o qual lemos nas manchetes – o cérebro imaturo que supostamente é a causa dos problemas – não é nada menos que um mito.

Por exemplo, se o cérebro adolescente fosse realmente fundamentalmente diferente do cérebro adulto, então veríamos padrões similares de revolta adolescente ao longo da história. Nós não vemos. Adolescentes em outras culturas, e os nossos próprios antes do início do século XX, detinham importantes posições e esperava-se que imitassem adultos, e não crianças.

O Sr. Epstein diz que adolescentes são extraordinariamente competentes, ainda que normalmente não expressem essa competência. Além disso, estudos de longa duração sobre inteligência, habilidades de percepção e função cerebral mostram que adolescentes são em muitos casos superiores aos adultos.

O Sr. Epstein conclui que a cultura de pares na adolescência, onde eles praticamente aprendem tudo o que sabem uns dos outros, ao invés de aprender com as pessoas nas quais estão prestes a se tornar, é a causa dos problemas que vemos hoje. Quase todos os adolescentes são isolados dos adultos e equivocadamente tratados como crianças.

Qual é a solução? Quando adolescentes são tratados como adultos eles quase imediatamente enfrentam o desafio. Os pais deveriam confiar nos seus adolescentes dando a eles cada vez mais responsabilidade, acompanhada da orientação adequada. Esta é uma forte repreensão para que os pais e adultos desafiem nossos adolescentes a agir mais como adultos ao invés de adolescentes tradicionais.

Os gêmeos Harris estão dando a direção aos adolescentes para que se tornem mais produtivos. Explodindo o mito sobre a adolescência primeiro, eles informam os adolescentes de que eles são capazes de muito mais do que normalmente é esperado deles e de que os adultos têm subestimado completamente os seus talentos e habilidades. Eles desafiam os adolescentes a se unirem na “rebelução” (rebelution), que é a revolução contra a rebeldia, e ditam cinco passos sobre responsabilidade para adolescentes.

Primeiro, adolescentes deveriam “fazer coisas difíceis” que os tirem da zona de conforto. Em segundo lugar, adolescentes devem ir além do que é esperado e solicitado deles. Em terceiro lugar, adolescentes deveriam tentar realizar tarefas que são muito grandes para serem feitas sozinho, para aprender sobre trabalho em equipe e colaboração. Em quarto lugar, adolescentes deveriam fazer coisas que não tenham um retorno imediato. Estas são as coisas desinteressantes que podem parecer uma rodada interminável de tarefas que veem sem um reconhecimento. Essas tarefas, no entanto, constroem o caráter. Finalmente, adolescentes devem ficar firmes em suas crenças mesmo se a maioria se oponha a elas.

“Radicalize” é um livro para os adolescentes e seus pais. Eu acredito firmemente que este livro, se levado a sério pela geração atual de adolescentes e pelos seus pais, pode provar ser um dos livros que levem às maiores mudanças de vida e de cultura desta geração.

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