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Métodos para melhorar a memória e que todo educador deveria conhecer

28 de novembro de 2012 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil

menina tentando se lembrar

Estava esta semana revendo algumas partes do livro “Eficiência sem Fadiga” e achei interessante compartilhar alguns trechos do capítulo sobre memória, visto que já enfatizei aqui no blog a importância de se trabalhar a memorização na infância. Narciso Irala não fala propriamente da atividade de memorização, mas da necessidade de se cultivar uma boa memória tanto para a vida no geral quanto para os estudos. Para isto ele ensina alguns métodos que acredito que todos os pais e professores deveriam tomar conhecimento e tentar aplicar com seus filhos e alunos. São os seguintes:

1)      Aumentar o interesse, a decisão e a confiança:

“Grava-se e recorda-se melhor o que atraiu mais a atenção. O que é novo, insólito, extraordinário, o que oferece contraste, atrai nossa atenção, e o que muito de perto nos toca chega a no-la arrebatar com violência. Por isto, quando viajamos, lembramo-nos melhor das primeiras experiências, porque nos impressionam mais. Pelo mesmo motivo as emoções fortes da infância tendem a permanecer”.

2)      Receber com melhor concentração:

“Não se grava bem o que estudamos com desânimo, má vontade, em meio a distrações, ou assaltados por ideias parasitas; também não se grava perfeitamente aquilo que apenas ocupou a periferia da atenção, sem entrar no foco central da mesma. (…) Atender por metade é gravar por metade. Nossa mente é como uma máquina fotográfica: não pode enfocar ao mesmo tempo dois objetos bem separados ou em diferentes planos. Se você está atendendo à sua leitura e vêm dizer-lhe o nome ou endereço que você queria, não o reterá, a não ser que deixe por um momento de enfocar o livro e se concentre no que lhe dizem.”

3)      Receber através de mais vias sensoriais:

“Se além de ouvirmos, vemos; se falamos ou escrevemos; se tocamos ou saboreamos; se tomamos parte ativa na conversa, então a gravação de qualquer coisa ou idéia será mais perfeita e profunda. Nisto se baseia o fundamento pedagógico dos meios áudio-visuais no ensino. O que entra por vários sentidos, entra sob mais variados aspectos, isto é, com maior distinção e clareza e fica mais ligado à nossa recordação. (…)

Poucos terão conseguido um êxito pedagógico tão completo como o célebre P. Manjón com suas famosas escolas da Ave Maria. Usou magistralmente este método. Os meninos vagabundos ou abandonados recolhidos por êle em Granada aprendem vendo, ouvindo ou brincando. Para a geografia, por exemplo, mandou fazer para eles no pátio um grande mapa da Espanha em relevo. O professor, sobre o mapa, faz excursões às serras que o rodeiam ou às cidades e províncias mais próximas, ou, descendo o rio, chega até o mar e vai descrevendo o que encontra. Outro dia um aluno faz uma viagem por mar, tocando nos portos que o professor indica. A história é ensinada teatralmente, representando cada aluno o papel de um personagem histórico. A aula é uma diversão para os alunos e após algumas semanas já se familiarizaram com a matéria.”

4)      Receber através do sentido predominante:

“Alguns têm memória predominantemente visual, ou por outra, quando pensam ou se recordam, fazem-no através de imagens visuais; estão como que vendo o que pensam. Estes retêm sobretudo o que vêem ou lêem ou o que associaram com alguma coisa que viram; lembram-se da página onde leram tal ou tal frase e do lugar que ela ocupava na página. É conveniente que os que pertencem a este tipo utilizem sempre os mesmos livros ou apontamentos, visualizando e localizando o que desejam reter. (…)

Outros, especialmente os músicos, têm memória predominantemente auditiva, lembram-se sobretudo do que ouviram ou leram em voz alta.”

5)      Elaborar com mais enfoques e relações:

“(…) ao lermos, escutarmos ou observarmos algo novo vamos rotulando-o, a saber, vamos relacionando-o com o que já sabíamos e que pode esclarecer, confirmar ou destruir o novo conhecimento, então sim, ele ficará gravado em nossa memória. Por outra parte, gravar-se-á essa ideia quando anotamos a posição que ela ocupa com relação às que a precederam ou lhe sucederam; quando percebemos que é causa ou efeito da anterior, ou parte integrante de um todo interessante; quando a enfocamos sob vários aspectos e a relacionamos com o nosso ideal (…).

A relação sistemática mais natural e que ajuda muito a memória é a que classifica ou associa coisas semelhantes. O botânico sabe tanto do reino vegetal porque classificou por gêneros e espécies todas as plantas de que tem notícia. O zoólogo pode falar com interesse e erudição de tão variados animais porque os classificou e estudou por espécies e famílias. (…)

Outra maneira de organizar as idéias e de utilizar vários sentidos é procurar exprimi-las. As idéias na mente, sem palavras que as expressem, são como um túnel cavado na areia. A expressão da idéia por palavra ou por escrito será a pedra ou cimento que consolidará o trabalho realizado.”

6)      Repetir sem se aborrecer e antes de esquecer:

“Todos os meios anteriores serão insuficientes sem a repetição; com ela é que eles adquirem sua maior eficácia, pois a repetição é o ‘buril da memória’. (…)

Para se poder lembrar a longo prazo, a necessidade das repetições é de experiência universal. Todos repetimos com insistência o que queremos decorar. Tornamos a olhar a paisagem, o quadro, o detalhe que gostaríamos de conservar na memória.”

7)      Recitar no tempo devido:

“Recitar e procurar reproduzir, para si mesmo ou para outro, o que se leu, sem olhar no livro. É uma espécie de repetição ou um modo de tomarmos a nós mesmos a lição, o qual ajuda a memória.”

8)      O todo ou a parte?

“Antes de mais nada, deve-se procurar evitar o desânimo, o qual nos levaria ao fracasso. O desânimo poderia surgir dado que, quando a lição é demasiado longa, será impossível dominá-la de uma vez. Portanto, será conveniente adquirir primeiro certo conhecimento, embora imperfeito, de toda a matéria, para depois atacar as partes uma a uma, relacionando-as entre si e com o todo.

Quando a tarefa é curta, é preciso optar sempre por estudá-la toda de uma vez.”

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