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Emmi Pikler e orientações para os cuidados com os bebês – Parte 1

14 de dezembro de 2011 | Publicado por Mariana em Desenvolvimento infantil

Este post traz a primeira parte do artigo “Estar com os bebês”  (original no site Pikler/Lóczy Fund USA), escrito por Anna Tardos, do Instituto Pikler em Budapeste. Um dos mais importantes princípios da abordagem desenvolvida por Emmi Pikler (1902-1984) é o de que o adulto deve estabelecer uma relação de confiança e interação com o bebê durante os principais cuidados (banho, troca de fraldas, alimentação). Além disso, o espaço é organizado para que o bebê possa se movimentar com mais liberdade desde muito cedo, o que proporciona maior autonomia (a criança conquista cada posição por si mesma na medida em que é capaz de manter sua postura) e melhor desenvolvimento motor. 

Estar com bebês – Anna Tardos

Tradução: Mariana Discacciati

Revisão da tradução:Raquel Borges

Fotografia de uma mãe conversando com seu bebêBebês nos afetam de maneira maravilhosa. Eles nos encantam. Eles nos tocam muito profundamente. Eu acho que não estou errada em alegar que ninguém pode passar por um carrinho de bebê de um estranho sem parar e sorrir para ele. Todo bebê e, claro, nossas próprias crianças, despertam indescritíveis emoções em nós. Nós nos inclinamos sobre nossos bebês repetidas vezes e sentimos prazer quando os vemos adormecidos, e procuramos por seus sorrisos quando estão acordados. Nós gostaríamos acima de tudo de tê-los constantemente em nossos braços.

Tudo acima é verdadeiro. E porém, não exatamente. Muitas vezes acontece que nos importantes momentos de estar juntos nós não prestamos realmente atenção neles, porque estamos preocupados com as tarefas relacionadas a eles: vestindo-lhes as camisas, limpando seus bumbuns, ajustando suas fraldas. Nós tocamo-los, movemo-los, e às vezes falhamos em notar a expectativa em seus olhares enquanto nos observam. Nós não pensamos em quão felizes eles ficariam em ‘ajudar’ se tivéssemos uma discussão com eles nesse meio tempo, e se nós contássemos a eles o que estamos a fazer:

“Agora eu irei tirar sua fralda para ver se há algo nela. Eu irei limpar sua pele e levantar seu bumbum. Você me permite fazer isso? Agora, irei colocar esse casaco em você. Vê como ele é bonito? Sua avó o fez para você. Primeiro estou puxando um braço para cima, depois o outro. Eu preciso te levantar um pouco. Não é muito fácil, mas nós conseguimos”.

Eles ajudariam? Sim. O bebê prestaria atenção naquilo que estivéssemos fazendo, relaxaria seus braços, e, com a idade de apenas alguns meses, ele levantaria seus braços em nossa direção quando lhe mostrássemos sua camisa. Uma conversa real pode ser formada dessa maneira entre o adulto e o bebê. Dessa maneira, os rápidos e pouco cuidadosos movimentos que frequentemente lançam uma sombra na atividade conjunta durante os momentos passados juntos podem ser evitados: pernas levantadas muito altas, muito rapidamente giradas para o lado, o braço do bebê ficando preso na manga, ou as pernas presas nos macacões com zíper (não muito práticos).

Esta pode ser uma experiência bastante desagradável para o bebê. E também acontece que, ao invés de um rico e significativo diálogo realizado durante um prazeroso momento conjunto, o adulto tem que vestir um bebê que chora e protesta. Nesta hora, o adulto tentaria acalmar o bebê: “Eu estou vendo que você está cansado. Tudo bem, terei pressa e nós iremos terminar rápido”. Neste meio tempo, os movimentos ficam cada vez mais rápidos, e frequentemente precipitados, portanto ainda mais desagradáveis para a criança. É uma pena. Por quê? Porque a atividade de vestir ou trocar, repetida várias vezes no dia, pode ser também um alegre encontro em conjunto.

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