Informações para pais e educadores
Header

Têmpera ovo

1 de maio de 2014 | Publicado por Mariana em Artes Plásticas | Brincadeiras e atividades

Neste post deixarei uma dica de atividade de artes plásticas: a pintura com têmpera ovo. Esta é uma técnica muita antiga, anterior à pintura a óleo, inventada por Jan van Eyck no século XV. É interessante explicar isto às crianças e ensiná-las a produzir a tinta a base de gema de ovo: elas ficam encantadas por serem capazes de produzir a própria tinta e verem as cores surgindo ao acrescentarem os pigmentos. Abaixo vocês encontrarão a receita da têmpera e um trecho do livro “A História da Arte”, de Gombrich, sobre a  invenção da técnica da pintura a óleo.

RECEITA DE TÊMPERA OVO

Materiais: materiais-têmpera-ovo

  1. Dois ovos
  2. Água
  3. Pigmento xadrez em pó ou líquido
  4. Óleo de cravo
  5. Uma caixinha de ovo de plástico
  6. Papel grosso ou cartonado
  7. Rolinho de espuma ou pincel grosso e largo
  8. Tinta guache branca ou tinta látex branca
  9. Pincéis variados

separando-clara-e-gema

1)      O primeiro passo é separar a gema do ovo, que é o aglutinante da tinta (funciona como uma cola). retirando-a-película-da-gemaÉ preciso retirar toda a clara da gema, a melhor maneira é ir passando a gema de uma mão para a outra e, ao fazer isso, ir limpando as mãos em um pano, retirando a clara.

2)      Depois temos que segurar a gema com os dedos indicador e polegar (a gema ficará suspensa em formato de gota) e furá-la. Assim separamos a película da gema, que deve ser descartada.

3)      Para evitar que a pintura mofe ou seja atacada por insetos devemos colocar 2 ou 3 gotas de fungicida. O óleo de cravo é uma boa opção para crianças, por não ser tóxico. pigmentos-na-têmpera

4)      Feito isso, podemos acrescentar um pouquinho de água à mistura, distribuí-la entre as divisões do godê (para crianças podemos usar uma caixa de ovos) e colocar os pigmentos: pigmento xadrez líquido ou em pó ou corante alimentício. Se o pigmento for em pó, é preciso diluí-lo antes de acrescentá-lo à gema.

Dicas:

  • Antes de começar a pintura, o ideal é preparar um papel grosso ou papelão pintando-os com uma fina camada de tinta látex branca ou tinta guache branca (com um pincel macio e largo ou um rolinho de espuma). A pintura não ficará boa se for feita sobre um papel sulfite (A4) que, por ser muito fino, não suporta a tinta e pode rasgar.
  • Com crianças muito pequenas o ideal é não deixar um pote de água para que ela limpe o pincel na troca de cores, e sim um paninho ou papel toalha, pois se a criança ficar molhando demais o pincel a pintura ficará muito aguada.

 

Fra Angelico, "Altarpiece of the Annunciation" (1430-1432). Têmpera. 194 x 194 cm. Museu do Prado, Madrid, Espanha.

Fra Angelico, “Altarpiece of the Annunciation” (1430-1432). Têmpera. 194 x 194 cm. Museu do Prado, Madrid, Espanha.

“Para levar a termo sua intenção de espelhar a realidade em todos os pormenores, Van Eyck teve que aperfeiçoar a técnica pictórica. Foi ele o inventor da pintura a óleo. Existe muita discussão em torno do significado exato e da veracidade dessa asserção, mas os detalhes importam comparativamente pouco. A descoberta dele foi algo como a da perspectiva, que constituiu um evento inteiramente novo. O que ele realizou foi uma receita para a preparação de tintas, antes de elas serem espalhadas no painel. Os pintores daquela época não compravam cores prontas em tubos ou outros recipientes. Tinham que preparar seus próprios pigmentos, sobretudo extraídos de plantas e minerais. Depois os pulverizavam, triturando-os entre duas pedras – ou mandando seus aprendizes triturarem-nos -, e, antes de os usarem, adicionavam algum líquido aos pigmentos, a fim de converterem o pó numa espécie de pasta. Havia diversos métodos para fazer isso, mas durante a Idade Média o principal ingrediente do líquido era obtido de um ovo, o que era  muito adequado, salvo pelo inconveniente de secar muito depressa. O método de pintura com esse tipo de preparação de cores chama-se têmpera. Jan van Eyck aparentemente não estava satisfeito com esta fórmula, porque ela não lhe permitia realizar transições suaves em que as tonalidades cromáticas se transformassem gradualmente de umas para outras. Usando óleo em vez de ovo, podia trabalhar muito mais devagar e com maior exatidão. Podia fazer cores lustrosas, suscetíveis de serem aplicadas em camadas transparentes ou “vidradas”; podia adicionar cintilantes detalhes em relevo com um pincel de ponta fina, e realizar todos aqueles milagres de precisão e minúcia que espantaram seus contemporâneos  e cedo levaram à aceitação geral do óleo como o veículo pictórico mais adequado.” (“A História da Arte”, p.240)

Você pode acompanhar as respostas desse post através do RSS 2.0 Você pode deixar um comentário, ou trackback.

2 Comentários



Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *