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A importância da memorização na infância

22 de maio de 2012 | Publicado por Mariana em Brincadeiras e atividades | Linguagem e literatura

fichário de memorizaçãoEm janeiro publiquei um post sobre uma visita que fiz a uma família de homeschoolers nos EUA. Naquela ocasião, a Niqui (11 anos) me contou sobre as “aulas de memorização” que fazia: uma vez por semana ia à casa de uma professora onde, juntamente com outras crianças, trabalhava a memorização de textos diversos e os declamava. A cada 500 palavras decoradas avançava-se um nível: Niqui já estava no décimo primeiro. No seu fichário ela mantinha todos os textos que havia memorizado até então: poesias, discursos famosos, salmos e pequenas histórias.

Em outro post (Leitura em voz alta: trabalho diário para o desenvolvimento da linguagem), indiquei o artigo “Ten Things to Do with Your Child Before Age Ten”, de Harvey e Laurie Bluedorn. Neste artigo os autores explicam porque a memorização é importante para a formação da criança: “memorização, junto com a narração, treina, afia e fortalece a mente e prepara a criança para estudos mais rigorosos no futuro. E é isso precisamente que teremos que fazer nos primeiros anos da vida da criança”.

Memorizar leva a criança à percepção de como palavras e frases podem ser organizadas e combinadas e aumenta o seu vocabulário: requisitos fundamentais para que seja uma boa oradora e escritora no futuro. Além das poesias, discursos famosos, salmos e pequenas histórias, acrescente à lista canções, excertos de literatura, fábulas, orações e orações em latim.

Abaixo segue a tradução que fiz de uma parte do texto “Memorization Without Pain” (Memorização Sem Dor), disponível no site do livro The Well-Trained Mind: a guide to classical education at home e que explica o passo-a-passo de um método para memorizar textos:

“Crianças do ensino fundamental têm uma imensa capacidade para memorizar sem perceber que o fazem. Para crianças da 1ᵃ a 4ᵃ séries, tente o seguinte método de memorização: divida o texto selecionado para ser memorizado em trechos de 8 a 10 linhas. Uma vez por dia peça à criança que leia em voz alta o primeiro trecho quatro vezes; na nossa casa cada criança o lê uma vez para a mãe (para ter certeza de que as palavras estão sendo pronunciadas corretamente), uma vez para o peixe, uma vez para o irmão mais novo e uma vez para outro adulto que esteja nas redondezas. Se isto é feito fielmente todos os dias, a maioria das crianças aprende seus trechos de 8 a 10 linhas em uma semana. Na sexta-feira, peça a criança para ver o quão longe ela pode declamar de memória. A maioria das crianças fica surpresa em descobrir que sabe todo o trecho de cor!

Na semana seguinte, designe a próxima parte do texto para a criança. Peça que ela leia uma vez a primeira parte (o trecho da semana anterior) e então o novo trecho quatro vezes. Faça isso todos os dias. Na sexta-feira, peça a criança mais uma vez para tentar declamar tudo desde o início. Continue com esse padrão até que todo o texto seja memorizado. Então designe à criança o dever de repetir o texto de frente para o espelho até que ela possa fazê-lo sem rir ou gaguejar. Agora ela está preparada para recitar o texto para você, e depois para outros adultos.”

E para quem quiser começar, aí vai um belo texto:

A Raposa e o Corvo

Esopo

Estava o corvo num galho com um queijo no bico. A raposa, quando viu, começou a pensar num jeito de conseguir o pitéu. Olhou para cima e disse:

– Como você é bonito, amigo. Que penas lindas e que cores! Será que a sua voz é tão bonita quanto você? Se for, você deve ser o rei dos passarinhos!

O corvo ficou todo prosa e, para soltar a voz, abriu o bico. E lá veio o queijo direto para a boca da raposa.

Quem tudo quer, tudo perde.

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