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Latim + Matemática

21 de novembro de 2011 | Publicado por Mariana em Matemática

Nesse artigo são apontadas as semelhanças e diferenças entre a Matemática e o Latim. Ambos são mais importantes do que matérias como Geografia ou Ciências, pois desenvolvem o poder intelectual da mente, na medida em que conhecimentos são inter-relacionados e habilidades são adquiridas gradativamente. Embora o foco deste blog seja a educação na primeira infância (o Latim não deveria ser ensinado antes dos 8 anos, pelo menos), creio que esse artigo possa ser bastante útil para que os pais avaliem o impacto positivo que o ensino deste idioma e da Matemática pode ter na educação de uma criança. 

Latim + Matemática – por Cheryl Lowe

(original no site Memoria Press)

Tradução: Mariana Discacciati

Revisão da tradução: Raquel Borges

Muitos dos que são atraídos pela idéia de uma educação clássica não sabem exatamente o porquê, nem compreendem a necessidade do Latim, ou pelo menos essa quantidade toda dele. Um pouco de Latim é uma boa coisa, mas todos os anos? Espinafre é uma boa coisa, mas todos os dias?

Acredito que cinco décadas de modismos e experimentos deixaram os pais cautelosos, e quando eles escutam sobre educação clássica, eles pensam, “Sim, é isso o que eu quero”. Parte do apelo da educação clássica é simplesmente a palavra “clássica”.

Clássico é uma palavra que possui associações interessantes: algo que resistiu ao teste do tempo, o melhor, algo com forma, estrutura e beleza, como uma sinfonia ou arquitetura clássica. Quando colocamos dessa maneira, todos os pais querem uma educação clássica; eles querem o melhor, a educação que foi testada pelo tempo, a educação que tem forma e estrutura, disciplina e beleza. Parece bom para os pais que estão cansados das últimas inovações que nunca parecem funcionar.

Mas o que é educação clássica? Para ser precisa, e precisamos ser, iremos usar o significado histórico. Esse entendimento sobre educação clássica pode certamente ser atualizado, mas não pode ser radicalmente alterado. Na educação clássica, o principal foco no estudo da linguagem é uma língua clássica, e o foco primário em história são as civilizações clássicas da Grécia e de Roma. Existem duas e apenas duas línguas clássicas – Latim e Grego – e eu irei restringir meus comentários ao Latim.

Por que estudar velhos e mortos idiomas e civilizações? Em primeiro lugar, o Latim não está morto. Ele é ainda lido por milhões de pessoas em todas as nações, e a maioria dos clássicos em Latim ainda são impressos, e muitos livros novos, como How the Grinch Stole Christmas e Ursinho Puff (Winnie the Pooh), foram traduzidos para o Latim. Existem muitas línguas mortas e que estão morrendo nesse mundo, mas não há mais influentes idiomas na história que o Latim e o Grego. É verdade que eles não são utilizados para a conversa do dia a dia, mas é completamente falso caracterizar o Latim e o Grego como línguas mortas. Elas não estão mortas – elas são verdadeiramente imortais.

Sim, o Latim ajuda na pontuação do SAT[1]. Ele faz sim a aprendizagem de um idioma moderno mais fácil. É verdade, o Latim é abundante nos vocabulários técnicos das ciências humanas e tecnológicas e do Direito. Um estudante de Latim deveria também ganhar um firme domínio do vocabulário Inglês[2] por reconhecer que todas as grandes palavras vieram do Latim.  Embora esses benefícios sejam impressionantes, eles são pequenos se comparados ao real valor do Latim. Existem objetivos mais importantes que o Latim realiza melhor do que qualquer outra disciplina: o primeiro é o desenvolvimento mental, e o segundo são as habilidades lingüísticas em Inglês.

O Latim desenvolve o poder intelectual da mente como nenhuma outra matéria. Pense no preparo físico, um estudante que é um atleta versus outro que é sedentário. A mente pode ser desenvolvida como o corpo. Como o Latim faz isso? A melhor maneira de compreender o poder do Latim é considerar algo com o qual você provavelmente esteja familiarizado – Matemática.

A Matemática é sistemática, organizada, ordenada, lógica e cumulativa. Num estudo cumulativo, cada habilidade é construída sobre a anterior, nada pode ser esquecido, tudo precisa ser lembrado. Todos os conhecimentos e habilidades estão inter-relacionados. O estudante continua a construir uma torre de conhecimento bloco por bloco, até que alcance um alto nível de habilidades e conhecimento.

Matemática começa com memorização, computação, frações, decimais, porcentagens, problemas com palavras e procede a solução de problemas, álgebra, geometria, trigonometria e cálculo. Matemática é difícil porque se constrói tão incansavelmente ano após ano através de cada ano da educação da criança. Qualquer habilidade que não tenha sido dominada em um ano vai tornar o trabalho difícil no ano seguinte.  A Matemática é implacável. Ela precisa ser cultivada. É por isso que poucos estudantes alcançam um alto nível em Matemática. Eles atingem um teto de vidro porque a natureza cumulativa da matéria os alcança. Por fim, eles se encontram em uma situação que está além de suas capacidades e desistem.

Como a Matemática desenvolve o poder intelectual da mente? A Matemática forma a mente do estudante para a precisão, pensamento lógico, e resolução de problemas. É formação, não informação. A Matemática realmente educa, transforma, e modifica a mente do estudante para se tornar como a Matemática – ordenada, lógica, precisa, organizada. O verdadeiro propósito da educação e de todas as matérias que estudamos na escola é desenvolver, moldar, e transformar a mente e o caráter do estudante. A natureza da disciplina transfere seu caráter para a mente do estudante.

O que há de especial na Matemática? Matemática é uma linguagem, e uma linguagem não é realmente uma matéria. É algo muito mais básico e fundamental que uma matéria. Astronomia é uma matéria. A Guerra Civil é uma matéria. Ciência, História, Literatura, Governo e Sociologia são matérias. Matérias são por natureza tópicas. Sim, há o básico para qualquer matéria, e, idealmente, ele é ensinado da forma mais cumulativa possível. Se um estudante não vai bem em História Mundial em um ano, ele pode entender e ir bem no ano seguinte em História Americana.  Se ele se distrai durante as explicações sobre a estrutura da célula, ele pode acordar e conseguir um “A” em sistema de classificação das plantas. Se ele não entende Hamlet, ele pode se sintonizar para Macbeth. Matérias não são tão exigentes quanto idiomas e, portanto, não irão produzir um estudante do mesmo calibre.

O que temos do lado da linguagem no currículo que seja comparável e que balanceie o rigoroso, desafiador, cumulativo e formativo estudo da Matemática? Sem o Latim, a resposta é “Nada”.

Matemática é importante, mas é secundária às habilidades lingüísticas. Na verdade, a Matemática é dependente das habilidades lingüísticas. O professor de Matemática ensina os conceitos em palavras, e os símbolos matemáticos são usados no lugar de palavras para que possam ser facilmente manipulados no papel. Uma pessoa realmente culta pode ser bastante ruim em Matemática, porque as habilidades lingüísticas ainda são a medida para uma pessoa culta: aquela que consegue falar e escrever com clareza e tem poder sobre sua língua mãe, o Inglês.

O Latim fornece o componente faltante na educação moderna, o treinamento sistemático da linguagem comparável a e que equilibra o lado da Matemática no currículo. Quase tudo o que eu disse sobre Matemática, você poderia ter substituído por Latim, mas não por Inglês, Ciência, História ou Francês.

Nós iremos continuar essa conversa com o foco em Latim na próxima edição do The Classical Teacher.


[1]  O SAT (Scholastic Assessment Test) é um exame aplicado aos estudantes do Ensino Médio nos Estados Unidos, que serve como critério para admissão nas universidades norte-americanas.

[2] O mesmo se aplica para o Português.

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